Explique por que não advertiu Joesley

Explique por que não advertiu Joesley

Polícia Federal quer saber do presidente Temer as razões de não ter tomado providências após ouvir empresário da JBS relatar crimes, como 'segurar juízes'

Fausto Macedo, Fabio Serapião, Julia Affonso e Breno Pires

05 de junho de 2017 | 19h34

Michel Temer. Foto: EFE/Joédson Alves.

Entre as 84 perguntas feitas a Michel Temer, a Polícia Federal questiona o presidente sobre um capítulo importante da crise na qual o peemedebista mergulhou – os assuntos tratados na reunião com o empresário Joesley Batista, da JBS, na noite de 7 de março, no Palácio do Jaburu.

Naquele encontro, o executivo narrou a Temer uma sucessão de crimes como o pagamento de mesada de R$ 50 mil para o procurador da República Ângelo Goulart e contribuição financeira a Eduardo Cunha (PMDB-RJ), em troca do silêncio do ex-presidente da Câmara, preso desde outubro de 2016 na Lava Jato.

Joesley também disse ao presidente que estava ‘segurando dois juízes’. A conversa foi gravada pelo empresário, sem que Temer soubesse.

“Por qual razão não levou ao conhecimento de autoridades a ilícita ingerência na prestação jurisdicional e na atuação do Ministério Público que lhe fora narrada por Joesley Batista?”, indagou a PF.

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A PF avalia que o presidente compreendeu que ‘segurar’ os magistrados significava uma suposta ‘intervenção’ na atuação do Judiciário.

OUÇA TEMER E JOESLEY

Os delegados federais Thiago Machado Delabary e Marlon Cajado Oliveira dos Santos querem saber do presidente se ele percebeu ‘alguma ilicitude’ de Joesley.

Os investigadores consideram que o presidente deveria ter tomado providências imediatas ao ser comunicado de crimes por Joesley. Este é o ponto central do pedido de impeachment de Temer levado à Câmara pela Ordem dos Advogados do Brasil.

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