Experiências educativas e de entretenimento sofrem restrições tarifárias

Experiências educativas e de entretenimento sofrem restrições tarifárias

Tiago J. B. Eugenio*

13 de março de 2020 | 05h00

Tiago J. B. Eugenio. FOTO: DIVULGAÇÃO

De acordo com a Boardgamegeek (BGG), em 2018 foram lançados mundialmente 4 mil jogos de tabuleiro. No Brasil, eles representam quase 10% do mercado de brinquedos, com faturamento de R$ 6,8 bilhões e estão em franca expansão, mesmo com o apelo dos similares digitais, porque os jogos presenciais permitem experiências olho no olho,  aprendizado e diversão em grupo.

Os jogos de tabuleiro modernos são bem diferentes dos clássicos, como War e Banco imobiliário, porque contam com regras que demandam mais estratégia e menos sorte, além de serem mais curtos e dinâmicos. Atualmente, há jogos disponíveis no mercado que colocam o jogador como um contador de histórias (Dixit) ou aventureiros que precisam resgatar tesouros em uma Ilha em inundação (Ilha proibida).

Além do entretenimento, os jogos de tabuleiro têm muitas outras funções. São instrumentos para expor crianças e jovens a cenários de conflitos artificiais, totalmente seguros, para que desenvolvam uma série de competências, como pensamento crítico, raciocínio estratégico, trabalho em equipe, flexibilidade cognitiva, etc., que são úteis a todo ser humano.

Teóricos famosos, como Piaget,Vygotski e Walllon apontaram que os jogos de tabuleiro são recursos fundamentais na aprendizagem, formação e desenvolvimento cognitivo das crianças, além de contribuírem para sua adaptação à vida em sociedade.

Embora, a cada ano, o mundo produza milhares de jogos de tabuleiro, os brasileiros têm acesso limitado a esse universo, porque a alíquota nominal sobre importação de brinquedos no país é elevadíssima, de 35%. Temos o terceiro brinquedo mais caro do mundo, segundo ranking da Organização Mundial do Comércio (OMC). Só ficamos atrás do Zimbábue e da Argentina, que vem adotando nova política de comércio exterior e fechando seu mercado com medidas protecionistas.

Com um mundo cada vez mais globalizado e interativo é fundamental que os brasileiros tenham acesso aos novos jogos de tabuleiro, a esses novos repertórios de experiências, a essas novas dinâmicas e desafios. É diversão em família e para grupos de amigos,  além de serem também recurso para professores trabalharem em salas de aula e para empresas utilizarem em contextos de treinamento de competição e colaboração no mundo corporativo.

Ao contrário dos outros brinquedos, os jogos de tabuleiro não suscitam interesse do mercado paralelo de produtos piratas, porque exigem uma tecnologia em sua concepção para que o material de papel resista à manipulação de continuadas jogadas, sem se deteriorar rapidamente.

O jogo de tabuleiro considerado ícone da fase moderna é o alemão “Catan”, que  já vendeu 20 milhões de cópias, demonstrando o potencial desse segmento. Assim sendo, é fundamental que o Brasil acompanhe o mundo e torne mais acessível aos brasileiros às novidades desse mercado, equiparando a alíquota de importação às praticadas pelos países latino-americanos. O México, por exemplo, tem uma tarifa de importação que é um terço da nossa, de 9,1%.

Para virar esse jogo, está em curso até 17 de março, uma Consulta pública realizada pela Câmara de Comércio Exterior (Camex) em seu site para receber sugestões de toda a sociedade brasileira sobre a redução de 35% para 20% das alíquotas do imposto de importação sobre brinquedos e jogos de tabuleiro. A jogada de mestre, neste caso, é participar e dizer “sim”.

*Tiago J. B. Eugenio é educador, especialista em gamificação e tecnologias aplicadas à aprendizagem

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