Experiência do colaborador: a importância da convergência com a inovação

Experiência do colaborador: a importância da convergência com a inovação

Cristiane Tonet*

26 de outubro de 2020 | 04h55

Cristiane Tonet. FOTO: DIVULGAÇÃO

Manter a cultura da empresa em ambientes cada vez mais digitais demanda tempo, investimento e muita atenção aos processos de gestão de pessoas. Em 2020, quando muitas empresas tiveram suas rotinas postas à prova, com a ascensão do trabalho remoto enquanto única alternativa viável e segura, ficou ainda mais evidente que engajamento e inovação estão intimamente ligados.

O cenário que enfrentamos e que colocou muitos profissionais em uma situação de sobrecarga – segundo pesquisa da Robert Half, 60% dos colaboradores afirmaram esta condição – amplia o debate sobre a importância do employee experience, ou experiência do funcionário. Ela não acontece apenas nos momentos decisivos da história da empresa, no happy hour (agora virtual) ou na conquista pelas metas propostas.

A experiência do colaborador inicia ainda no momento da negociação para contratação e precisa ser mapeada para que os negócios sejam mais assertivos em sua gestão de pessoas e evitem custos desnecessários. Uma contratação errada, afinal, é mais do que um momento de revisão de perfil para a vaga, mas implica diretamente nos custos da empresa. E, além disso, pode prejudicar a imagem do negócio, reduzindo chances de novas vendas dentro do círculo de contato do candidato/profissional insatisfeito.

A Talent Board, por exemplo, mapeou o impacto do ressentimento do candidato a uma vaga de emprego através de uma calculadora desenvolvida pela companhia. Em um cenário de uma empresa com média anual de 300 contratações e 25 candidatos por vagas, 24 pessoas serão rejeitadas em cada contratação. Considerando que cada uma delas fale da empresa para mais uma pessoa, serão 14.400 pessoas impactadas anualmente. Levando em consideração um ticket médio de R$ 1.000,00 por negócio, e calculando que 12% dos candidatos rejeitados impactaram negativamente sua audiência – 128 pessoas e potenciais clientes – sua empresa perde, em um ano, R$ 1.728.000,00 em possíveis negócios.

No pós contratação, a falta de engajamento do colaborador através de ferramentas desenvolvidas para otimizar o employee experience também é um problema. Baixa produtividade, absenteísmo e presenteísmo, contratações de pouca duração são resultados de profissionais insatisfeitos com seu trabalho.

Neste “novo normal”, em que a presença digital se reforça e a falta de proximidade é um novo desafio a se vencer, fortalecer a cultura da companhia e a experiência positiva do cliente passa pela inovação.

Pesquisas apontam que empresas que investem em experiência dos funcionários são quatro vezes mais lucrativas. Para isso, soluções inovadoras de gestão de pessoas, comunicação corporativa, processos de recrutamento e análise da rotina dos colaboradores são fundamentais.

Entre as ferramentas que devem se destacar em empresas que prezam pela experiencia positiva do colaborador estarão aquelas que facilitam a gestão e realização de pesquisas de clima frequente, tabulando automaticamente os resultados para facilitar a tomada de decisão do gestor.

A inovação, através de soluções para a gestão integrada do colaborador, será crucial. Da análise de remuneração e histórico de entregas do profissional até a realização de feedback entre gestores e colaboradores, cada vez mais os sistemas para este fim ganham viés de rede social. Dar ao funcionário a oportunidade de fazer parte de seu processo de análise de performance, oportunizar o feedback de colegas e garantir o acesso transparente às informações sobre o colaborador via aplicativos precisa estar na pauta dos gestores.

Uma experiência positiva do colaborador exige facilidade na comunicação, mas também a autonomia para que o próprio funcionário administre boa parte de suas informações e colabore com o processo de melhoria contínua. A redução de custos com contratações erradas precisa estar em pauta e é o próprio colaborador, através da convergência da comunicação com as lideranças via automação, que ditará o ritmo certeiro para a companhia.

*Cristiane Tonet, diretora Comercial e de Marketing da Sancon

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