Empresário diz que doações oficiais ocultaram propinas para o PT

Augusto Mendonça, do Grupo Setal, que fez delação na Lava Jato, confirmou ao juiz federal Sérgio Moro que valores repassados ao partido eram pagamentos da corrupção na Petrobrás

Redação

10 de setembro de 2015 | 21h30

Por Julia Affonso, Fausto Macedo e Mateus Coutinho

O empresário Augusto Ribeiro Mendonça, do grupo Setal, voltou a afirmar nesta quinta-feira, 10, à Justiça Federal, em Curitiba, que fez doações oficiais ao PT que serviram para ocultar propina. Delator da Operação Lava Jato, ele foi ouvido na ação penal em que são réus o presidente da Andrade Gutierrez e executivos do grupo.

“Foram feitas doações oficiais ao PT a pedido do Renato Duque”, afirmou Mendonça. Duque era o diretor de Serviços da Petrobrás sustentado no cargo pelo PT, em especial pelo ex-ministro José Dirceu.

Ele confirmou cartel e combinação de divisão de contratos entre empreiteiras.

Na semana passada, o empresário Ricardo Pessoa, dono da UTC, confirmou em depoimento ao juiz Sérgio Moro também ter feito doações ao partido que ocultaram propina. O empresário fechou acordo de delação premiada, no mês passado, com a Procuradoria-Geral da República.

Mendonça, ouvido nesta quinta-feira na Justiça Federal, havia entregue os recibos de doações partidárias e eleitorais feitas por suas empresas para o PT entre 2008 e 2012, que ocultaram valore desviados da Petrobrás.

O tesoureiro petista João Vaccari Neto, e o ex-diretor de Serviços da estatal Renato Duque – presos pela Lava Jato – teriam sido as peças centrais da lavagem de dinheiro, que transformava recursos ilegais em legais dentro do sistema oficial de repasses para partidos e campanhas.

Mendonça, Vaccari e Duque são réus em outro processo criminal da Lava Jato, em fase final, que envolve o suposto pagamento dos R$ 4 milhões ao PT. No material estão quatro recibos emitidos pelo PT de doações para o Diretório Nacional do partido de R$ 500 mil, em 2010. O valor repassado em 7 de abril, quando era dada a largada para a campanha da presidente Dilma Rousseff, foi o mais alto doado dentro de uma lista de 24 repasses partidários e de campanha listados pelo delator.

Doações. São quatro recibos, com números sequenciais, datados de 7 de abril de 2010. Três com valores de R$ 150 mil e um de R$ 50 mil.

Os valores teriam sido desviados de duas obras de refinarias (Repar, no Paraná, e Replan, em Paulínia). Foram beneficiados: o Diretório Nacional, o Diretório da Bahia, o Diretório Municipal de Porto Alegre e o Diretório Municipal de São Paulo.

Por meio de quatro empresas de Mendonça foram feitas 24 doações eleitorais para o PT. Primeiro executivo a fazer delação com a Lava Jato, em 2014, Mendonça confessou que pagou propinas “acertadas com Renato Duque” em forma de doações.

O empresário e operador de propinas Augusto Mendonça afirmou à Lava Jato que fez “supostas ‘doações’, que eram pagamentos de propina, a pedido de Renato Duque e com o auxílio de João Vaccari”.

“Cada pagamento era deduzido do montante de propina devido. O momento das propinas e os valores eram indicados por Renato Duque, enquanto as contas e Diretórios do PT que recebiam os pagamentos eram indicados por João Vaccari”.