Executivo relata ‘piada’ ameaçadora de Eduardo Cunha para favorecer Delta

Executivo relata ‘piada’ ameaçadora de Eduardo Cunha para favorecer Delta

Rogério Araújo, delator, relatou que ex-presidente da Câmara queria incluir empresa em negócio de US$ 825 milhões da Odebrecht e ficou muito irritado com a negativa

Luiz Vassallo, Breno Pires, Fábio Serapião e Fábio Fabrini

14 de abril de 2017 | 05h42

Eduardo Cunha Foto: Rodolfo Buhrer/Reuters

Eduardo Cunha Foto: Rodolfo Buhrer/Reuters

O executivo da Odebrecht Rogério dos Santos Araújo afirmou, em delação premiada, que o ex-deputado, preso na Operação Lava Jato, teria feito ‘piada em tom de ameaça’ para que a empreiteira subcontratasse a Delta no âmbito de contrato que rendeu propinas ao PT e ao PMDB.

O contrato do PAC SMS foi firmado em 2011, com a Odebrecht, por um valor de US$ 825 milhões. A empresa ficou responsável pela prestação de serviços para a área de Negócios Internacionais da Petrobrás, dentro de um plano de ação de certificação em segurança, meio ambiente e saúde. O termo abrangeu inclusive a Refinaria de Pasadena, no Texas, EUA.

Segundo delatores da construtora, em 2010, durante reunião com o então presidente do PMDB Michel Temer, o ex-ministro do Turismo Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) e Eduardo Cunha, ficou acertada propina oriunda deste contrato no valor de 5% para o PMDB. Os delatores disseram que não se falou de propinas na presença de Temer.

Após ajustes com a diretoria da Petrobrás, as ‘vantagens indevidas’ ao partido foram reduzidas para 4% e o PT passaria a ficar com 1%. As tratativas teriam ocorrido em 2010.

Após os acertos para os partidos, o executivo Rogério Araújo relatou ter se reunido com Eduardo Cunha e representantes da Delta Engenharia por três vezes. Os encontros teriam sido marcados pela ‘insistência’ e por ‘ameaça’ do peemedebista para que a construtora subcontratasse a empreiteira de Fernando Cavendish no âmbito do PAC SMS.

A primeira reunião para tratar do contrato aconteceu no escritório de Eduardo Cunha, e teve a presença do peemedebista, do lobista João Augusto Henriques, apontado como operador de propinas do PMDB, e do representante da Delta, Ananias Andrade. “Eduardo cunha fez muita pressão para que a companhia executasse o contrato em consórcio com a empresa Delta, de Fernando Cavendish, o que neguei, vez que tal empresa não tinha nenhuma experiência em obras dessa natureza”.

Após a negativa, o executivo da Odebrecht relatou que Cunha ficou ‘bastante irritado’ e ‘para expressar sua irritação’, contou uma ‘piada com característica de ameaça’.

“Na oportunidade, Eduardo Cunha disse: ‘um amigo meu, casado, com uma mulher bonita, gostosa, não dormia em casa, chegava muito tarde em casa, viajava muito, sempre cansado, até o dia em que a esposa vira para o marido e diz ‘olha meu amigo, aqui em casa se faz sexo todo dia, contigo ou semtigo’”.

Em outra reunião, em agosto de 2010, o executivo diz ter se encontrado novamente com Cunha em seu escritório – o operador do PMDB, de novo, estava presente. Ele afirmou ter sido pressionado por Cunha para que houvesse a liberação do pagamento referente ao PAC SMS. “Eduardo Cunha fez pressão para que algum pagamento fosse feito previamente à assinatura do contrato”.

Houve um terceiro encontro, no escritório do delator, para tratar de possível acordo entre a Odebrecht e a Delta. Estavam lá João Augusto, Ananias Andrade, pela Delta, e o motorista Angelo Lauria. “Nesta reunião, Ananias voltou a insistir no tema de parceria para este projeto ou uma participação da Delta em outro contrato industrial qualquer já conquistado pela companhia, mencionando que era um compromisso do Eduardo Cunha com a delta (Fernando Cavendish). não concordei com a solicitação”.

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