Executivo da Odebrecht disse que se reuniu com carregador de malas de doleiro da Lava Jato

Executivo da Odebrecht disse que se reuniu com carregador de malas de doleiro da Lava Jato

Em depoimento à PF dia 12 de maio, Alexandrino Alencar, que cuidava de doações eleitorais da maior empreiteira do País, relatou encontros na sede da empreiteira com Rafael Ângulo Lopez, braço direito de Alberto Youssef; ele também falou sobre reuniões em hoteis de São Paulo com o ex-deputado José Janene (PP/PR), mentor do esquema de lavagem de dinheiro

Redação

22 de junho de 2015 | 13h56

O diretor Alexandrino Alencar, da Odebrecht, foi preso nesta manhã em São Paulo. Foto: Rafael Arbex/Estadão

O diretor Alexandrino Alencar, da Odebrecht, foi preso na última sexta-feira em São Paulo. Foto: Rafael Arbex/Estadão

Por Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Julia Affonso e Fausto Macedo

O ex-vice-presidente da Braskem e atual diretor institucional da Odebrecht, Alexandrino Alencar, afirmou em depoimento à Polícia Federal dia 12 de maio que recebeu ‘em quatro ou cinco oportunidades’ Rafael Ângulo Lopez, apontado pela força-tarefa da Operação Lava Jato como carregador de malas de dinheiro do doleiro Alberto Youssef.

Alexandrino Alencar foi preso sexta-feira, 19, por ordem do juiz federal Sérgio Moro, na mais nova etapa da Lava Jato, que investiga esquema de corrupção e lavagem de dinheiro desviado da Petrobrás.

Operador do PMDB pediu doação, segundo presidente da Andrade Gutierrez

Naquele depoimento de 12 de maio, ele contou que se reuniu em pelo menos duas ocasiões em hotéis de São Paulo com o ex-deputado José Janene (PP-PR) – morto em 2010 -, e com o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa.

Segundo o executivo da maior empreiteira do País também participaram dos encontros o doleiro Alberto Youssef e o ex-assessor parlamentar João Cláudio Genú, homem de confiança de Janene no Congresso.

José Janene é apontado como o mentor do esquema de corrupção e lavagem de dinheiro desviado da Petrobrás, que deu origem à Operação Lava Jato. Com sua morte, o doleiro Alberto Youssef assumiu o comando do esquema. Alexandrino Alencar disse que ‘conheceu a pessoa de Rafael Ângulo Lopez, o qual se tratava de um assessor/mensageiro do deputado Janene’.

“Que em 2007, o declarante (Alexandrino Alencar) sai da Braskem e passa a integrar os quadros da Odebrecht, ocasião em que passa a ter contatos e fazer tratativas com o ex-deputado Janene, no âmbito político, notadamente tratando de doações de campanha para políticos do PP – Partido Progressista; Que José Janene já estava aposentado em decorrência de grave cardiopatia; que como já não se deslocava com frequência e facilidade, passou a se valer de seu mensageiro Rafael Ângulo Lopez; que Rafael esteve no escritório do declarante, na sede da Odebrecht por cerca de quatro ou cinco oportunidades; Que Rafael sempre aparecia sozinho; que Rafael levava ou buscava documentos relacionados a doações de campanha para o Partido Progressista, PP.”

Segundo ele, ‘os documentos se restringiam a recibos de campanha e pedidos de doações manuscritas por Janene’. Alexandrino Alencar ressaltou que ‘nunca houve pedido de valores que não fossem relativos a doações campanha’. E mais: ‘Nunca foi pedido ao declarante comprovantes de transferências feitas pela Braskem para contas indicadas por Janene ou Youssef no exterior.’

Segundo Alexandrino Alencar, ‘era visível a relação de proximidade de confiança entre José Janene e Paulo Roberto Costa’. Ele afirmou que ‘em nenhum momento José Janene demonstrava condicionar seu apoio à indústria plástica a qualquer contra partida da empresa Braskem’.

No depoimento de 12 de maio, o executivo da Odebrecht declarou que se encontrou com Janene, Youssef e o então diretor de Abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, nos hoteis Tivolli e Hyatt, em São Paulo. Ele disse que ‘não procedem as afirmações feitas por Alberto Youssef de que a Braskem se beneficiou de preço de compra de nafta, praticado no mercado internacional, o qual seria inferior ao praticado no mercado interno’.

COM A PALAVRA, A BRASKEM

Em nota, a Braskem afirmou que todos os pagamentos e contratos com a Petrobrás seguiram os preceitos legais e foram aprovados de acordo com as regras de governança da empresa. A Braskem ressaltou que não recebeu nenhum tipo de favorecimento.

“Todos os pagamentos e contratos da Braskem com a Petrobrás seguiram os preceitos legais e foram aprovados de acordo com as regras de governança da Companhia. É importante ressaltar que, ao contrário de qualquer alegação de favorecimento da Braskem, os preços praticados pela Petrobrás na venda de matérias-primas sempre estiveram atrelados às mais caras referências internacionais de todo o setor, prejudicando a competitividade da indústria petroquímica brasileira.”

Tudo o que sabemos sobre:

Odebrechtoperação Lava Jato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: