Executivo da Andrade Gutierrez Energia e almirante da Eletronuclear são detidos em 16ª fase da Lava Jato

Executivo da Andrade Gutierrez Energia e almirante da Eletronuclear são detidos em 16ª fase da Lava Jato

Eles serão levados para a superintendência da Polícia Federal em Curitiba

Redação

28 de julho de 2015 | 09h51

Obras de usina Angra 3, alvo da Lava Jato/ Foto: Fabio Motta/AE

Obras de usina Angra 3, alvo da Lava Jato/ Foto: Fabio Motta/AE

Por Beatriz Bulla, Talita Fernandes e Fábio Fabrini

O presidente Global da Andrade Gutierrez Energia, Flávio Barra, e o almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, da Eletronuclear, foram alvo da 16ª fase da Operação Lava Jato na manhã desta terça-feira, 28, e tiveram prisão temporária decretada. Eles serão levados para a superintendência da Polícia Federal em Curitiba.

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A 16ª fase da Lava Jato, batizada de Radioatividade, mira contratos da Eletronuclear, estatal ligada à Eletrobras, e tem como base delação premiada feita por executivos da Camargo Corrêa. O principal ponto da ação indica suposta corrupção em contratos da Usina Nuclear de Angra 3.

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No início deste ano, em delação premiada, o empreiteiro Dalton Avancini, diretor-presidente da Camargo Corrêa Construções e Participações, revelou a existência de cartel nas contratações e pagamentos relativos às obras da usina.

A Andrade Gutierrez integra o consórcio UNA 3, um dos vencedores para montagem da usina. Os contratos para execução da montagem eletromecânica da usina foram Angra 3 (Queiroz Galvão; Empresa Brasileira de Engenharia – EBE; e Techint Engenharia) e UNA 3 (Andrade Gutierrez; Norberto Odebrecht; Camargo Correa; e UTC Engenharia).

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Trecho da delação de Dalton Avancini. Clique para ampliar. Foto: Reprodução

Avancini também citou em delação o nome do almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, licenciado desde abril do cargo de diretor-presidente da Eletronuclear. O empreiteiro disse ter “ouvido dizer” que havia uma promessa de propina para o militar.

Barra, da Andrade Gutierrez, será levado para Curitiba. A prisão temporária tem prazo de cinco dias, podendo ser convertida pelo juiz responsável pelo caso, Sérgio Moro, em prisão preventiva. Desde o início da Operação, a Andrade Gutierrez tem reiterado que seus executivos não têm relação com a prática de atos ilícitos.

A Eletronuclear informou que desde 30 de abril tem um presidente interino, Pedro Figueiredo.

COM A PALAVRA, A ANDRADE GUTIERREZ

A Andrade Gutierrez está acompanhando a 16ª fase da Operação Lava Jato e destaca que sempre esteve à disposição da Justiça. Seus advogados estão analisando os termos desta ação da Polícia Federal para se pronunciar.

COM A PALAVRA A ODEBRECHT:

“A Construtora Norberto Odebrecht esclarece que na manhã desta terça-feira, 28 de julho, foi alvo de busca e apreensão em sua sede, no Rio de Janeiro, bem como na residência de um de seus executivos, que também foi conduzido coercitivamente para prestar depoimento perante a Polícia Federal no Rio de Janeiro.

Todos os nossos executivos, assim como a empresa, sempre estiveram à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos e apresentar documentos no âmbito das investigações da operação Lava Jato, sendo injustificáveis as medidas empreendidas nesta data.

A CNO reafirma que nunca participou de oferecimento ou pagamento de propina em contratos com qualquer cliente público ou privado, o que obviamente inclui a Eletronuclear, portanto não reconhece como verdadeiras as afirmações de delator premiado que, visando obter a sua liberdade, em razão de prisão preventiva, não tem qualquer compromisso com a verdade.”

COM A PALAVRA A QUEIROZ GALVÃO:

“A Construtora Queiroz Galvão informa que está cooperando com as investigações. A companhia nega veementemente qualquer pagamento ilícito a agentes públicos para obtenção de contratos ou vantagens. A empresa reitera que todas as suas atividades e contratos seguem rigorosamente a legislação vigente”.

COM A PALAVRA, O GRUPO MPE:

” A EBE participa do Consórcio Angramon e está colaborando com as informações solicitadas pela Polícia Federal, embora não haja nenhuma acusação diretamente contra a EBE.

Hoje, dia 28, o Presidente do Conselho de Administração do Grupo MPE, Renato Ribeiro, da qual a EBE faz parte, prestou depoimento na condição de testemunha na sede da Polícia Federal do Rio de Janeiro, sendo liberado logo depois.”

COM A PALAVRA, A TECHINT

“A Techint Engenharia e Construção recebeu a Polícia Federal em sua sede em São Paulo nesta manhã de terça-feira, 28 de julho, para uma ação de busca e apreensão. Ricardo Ourique Marques, diretor geral da companhia, foi ouvido na sede da Polícia Federal em São Paulo, já tendo retomado suas funções normais.

A Techint E&C forneceu todas as informações solicitadas e permanece à disposição das autoridades. A empresa reitera que segue padrões internacionais de governança e observa estritamente a legislação brasileira.”

 

 

 

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