Executivo cita Fernando Baiano em compra de Pasadena

Executivo cita Fernando Baiano em compra de Pasadena

Redação

03 de dezembro de 2014 | 19h13

Por Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, e Fausto Macedo

O executivo Julio Gerin Camargo de Almeida, do grupo Toyo Setal, afirmou em sua delação premiada acreditar que o lobista Fernando Antônio Falcão Soares, o Fernando Baiano, tenha atuado como operador do PMDB na compra da Refinaria de Pasadena, no Estados Unidos, caso mais emblemático das irregularidades na Petrobrás. Afirmou ainda à força-tarefa da Operação Lava Jato que Fernando Baiano não atuava na área de Serviços, comandada pelo ex-diretor Renato Duque por ser “contra a filosofia da diretoria”, que dispensava intermediários nos pagamentos de propina.

O esquema, que funcionou de 2004 a 2012, foi operado pelo PT, PMDB e PP – e abasteceu também o PSDB e o PSB.
Apesar de não ter como provar o que disse, o delator sabia dos esquemas de Fernando Baiano na estatal via Diretoria de Internacional – responsável direta pela compra de Pasadena.

“Acredita que Fernando Soares tenha participado como operador na compra de Pasadena, mas não sabe detalhes”, registrou o Ministério Público Federal, ao questionar o delator sobre se ele conhecia a participação de Baiano em outros contratos na Diretoria Internacional.

Camargo afirmou que “somando pagamentos feitos a Fernando Soares no exterior e no território nacional, assim como por meio de Alberto Youssef, efetivou o pagamento total do montante exigido de US$ 40 milhões”. Para provar o que diz e conseguir redução de pena, o executivo apresentou os extratos de suas contas, contratos que serviram para movimentar o dinheiro e valores.

Serviços evitava intermediadores

O delator da Toyo afirmou que o operador do PMDB era personagem rejeitado dentro da Diretoria de Serviços, comandada pelo PT via Renato Duque. “Fernando Soares não atuava em tal diretoria, inclusive o mesmo não era bemquisto”, afirmou.

Segundo Camargo, que disse ter pago propina para Duque, Pedro Barusco (ex-gerente de Engenharia e braço direito do diretor) e PT, o uso de intermediadores era contra a filosofia. “A filosofia da Diretoria de Engenharia era ter contato direto com as empresas. De maneira que não havia um operador exclusivo, mas as empresas agiam diretamente nos acertos de propina.”

Os procuradores perguntou se ele, delator, era um dos operadores de Serviço, e ele negou. Disse que atuava somente para as empresas internacionais que representava.

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