‘Execrável’, diz defesa de Sarney sobre seu delator

‘Execrável’, diz defesa de Sarney sobre seu delator

Criminalista Antônio Carlos de Castro Machado, o Kakay, confirma que ex-presidente estuda processar Sérgio Machado que o denunciou por suposto recebimento de Rs 20 milhoes em propinas da Transpetro

Julia Affonso, Fausto Macedo, Ricardo Brandt e Mateus Coutinho

06 de junho de 2016 | 05h00

Sérgio Machado (à esq.) e Sarney. Fotos: Montagem Estadão

Sérgio Machado (à esq.) e Sarney. Fotos: Montagem Estadão

O advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, que defende o ex-presidente José Sarney (1985/1990) afirmou que o peemedebista está disposto a processar o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, que dirigiu a empresa durante 12 anos por indicação do PMDB. Sarney foi um dos políticos gravados por Sérgio Machado, que se tornou delator da Operação Lava Jato.

Machado afirmou ter repassado mais de RS 70 milhões para cardeais do PMDB. Desse montante, segundo o delator, RS 20 milhões teriam sido entregues a Sarney.

Vendo-se acuado, com medo de ser preso na Lava Jato, o ex-chefe da Transpetro, cadeira que ocupou por 12 anos, gravou secretamente conversas com quadros máximos do PMDB, entre eles o presidente do Congresso, senador Renan Calheiros, o presidente do partido, Romero Juca- ministro por alguns dias do governo interino Michel Temer – e o próprio Sarney. Uma das conversas, Machado gravou em um hospital onde Sarney estava internado.

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Em nota, Sarney afirmou que Machado é um ‘monstro moral’ e uma ‘pessoa abjeta’. “A total falta de caráter de quem, como meu amigo por mais de vinte anos, frequentando com assiduidade minha casa, almoçando e jantando comigo, e visitando-me sempre, teve a vilania de gravar nossas conversas, até mesmo em hospital, revela o monstro moral que ele é”, declarou o ex-presidente.

Na conversa registrada pelo ex-presidente da Transpetro, os dois discutem a crise política e a Operação Lava Jato que avança sobre os principais políticos brasileiros, também manifesta sua preocupação com a possibilidade das investigações envolvendo Machado serem enviadas para o juiz Sérgio Moro, na Justiça Federal em Curitiba, e indica que tentaria ajudá-lo a encontrar uma solução.

Segundo o criminalista, Sérgio Machado era ‘super próximo’ a Sarney e que a gravação da conversa é ‘inacreditável’. “Esse cidadão é execrável. Ele ia lá, almoçava, jantava”, afirma. “O Brasil perdeu completamente os limites da ética.”

Kakay diz que já requereu ao Supremo Tribunal Federal (STF) acesso à delação de Sérgio Machado, mas que o pedido foi negado. “A operação vaza e as pessoas não têm acesso a ela. É uma piada, um mundo de faz de contas.”

A ÍNTEGRA DA NOTA DE JOSÉ SARNEY

Face à publicação pela mídia de que o Senhor Sérgio Machado teria, em delação premiada, afirmado ter dado a mim vinte milhões de reais, venho protestar, desmentir e repudiar tal afirmação.

A total falta de caráter de quem, como meu amigo por mais de vinte anos, frequentando com assiduidade minha casa, almoçando e jantando comigo, e visitando-me sempre, teve a vilania de gravar nossas conversas, até mesmo em hospital, revela o monstro moral que ele é.

Vou processa-lo por denunciação caluniosa, de que sou vítima, pois não existe qualquer envolvimento meu nos fatos investigados pela operação Lava-Jato ou em qualquer outro ilícito. Não descarto a construção de uma armadilha.

A conduta do Senhor Sérgio Machado mostra sua total falta de credibilidade.

Repudio pessoa tão abjeta, que, insisto, vou processar.

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