EXCLUSIVO: R$ 800 mil para ‘Prosador’, ‘R$ 580 mil para ‘Aleluia’, R$ 200 mil para ‘Feia’,…

EXCLUSIVO: R$ 800 mil para ‘Prosador’, ‘R$ 580 mil para ‘Aleluia’, R$ 200 mil para ‘Feia’,…

Nos inquéritos que ministro Fachin mandou abrir há um resumo do que contaram os delatores da Odebrecht; veja alguns casos que citam deputados e senadores

Breno Pires, de Brasília, e Alexandre Hisayasu

11 de abril de 2017 | 18h39

Foto: Dida Sampaio/Estadão

Foto: Dida Sampaio/Estadão

– Senador Cassio Cunha Lima (PSDB-PB), nome completo Cassio Rodrigues da Cunha Lima: Colaboradores Alexandre José Lopes Barradas e Fernando Luiz Ayres da Cunha Santos Reis afirmaram que parlamentar pediu e recebeu, por meio de um intermediário identificado como Luís, o valor de R$ 800 mil, em meados de 2014. Na ocasião, ele era candidato ao governo da Paraíba. Pagamento tinha objetivo de receber como contrapartida de realizar obra de saneamento naquele Estado. Ganhou apelido de “Prosador” na planilha.

– Deputado Federal José Carlos Aleluia Costa (DEM-BA), nome completo José Carlos Aleluia Costa: Colaboradores José Carvalho Filho e Claudio Melo Filho declararam que, em 2010, Grupo Obedrecht pagou R$ 300 mil ao parlamentar, na época, candidato a deputado federal. Pagamento foi feito pelo Setor de Operações Estruturadas da empresa e não foi contabilizada (caixa 2). Para a campanha de 2014 recebeu doação oficial de R$ 280 mil e, em contrapartida, assumiu posições favoráveis à Odebrecht sempre que solicitado durante o exercício do mandato.

– Deputado Federal Mario Negromonte Júnior (PP-BA), nome completo Mário Sílvio Negromonte Júnior: Colaboradores José de Carvalho Filho e Luiz Eduardo da Rocha Soares afirmaram que parlamentar recebeu doação oficial de R$ 110 mil, mas apresentaram documentos que indicam repasse de R$ 200 mil a sugerir doação via caixa 2. Verificados também pagamentos da Cervejaria Petrópolis S/A que, segundo a Procuradoria, atuou como intermediária entre pagamentos ilícitos e candidatos a cargos públicos.

– Deputado Federal Nelson Pellegrino (PT-BA), nome completo Nelson Vicente Portela Pellegrino: Colaboradores André Vital Pessoa de Melo e Benedicto Barbosa da Silva Júnior afirmaram que, em 2012, o Grupo Obedrecht repassou R$ 1,5 milhão ao parlamentar, sendo R$ 200 mil de forma oficial. O restante foi por pago via caixa 2 pelo Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht.

– Senadora Lidice da Mata (PSB-BA), nome completo Lidice da Mata e Souza: Colaborador José de Carvalho Filho afirmou que o Grupo Odebrecht pagou, em 2010, R$ 200 mil via caixa 2 para a campanha eleitoral da parlamentar. O pagamento foi feito via Setor de Operações Estruturadas, sendo que no sistema ‘Drousys’, ela recebeu o apelido de “Feia”.

– Deputado Federal Jutahy Magalhães Júnior (PSDB-BA): Colaboradores Benedicto Barbosa da Silva Júnior e José de Carvalho Filho afirmaram que o parlamentar recebeu, a pretexto de doações de campanhas eleitorais, R$ 350 mil, em 2010, e R$ 500 mil, em 2014, por meio de caixa 2. Os pagamentos foram feitos pelo Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht. No mesmo período, o grupo doou oficialmente R$ 610 mil.

– Deputada Federal Maria do Rosário (PT-RS), nome completo Maria do Rosário Nunes: Colaborador Alexandrino de Salles Ramos de Alencar afirmou que construiu uma sistemática de contribuição financeira para campanhas eleitorais para ter bom relacionamento junto ao cenário político nacional. Nesse contexto, foi procurado, em 2010, pela então candidata e doou R$ 150 mil via caixa 2 para a campanha dela. O pagamento foi feito pelo Setor de Operações Estruturadas do Grupo Odebrecht. Ela recebeu apelido de “Solução” na planilha da empresa.

– Senador José Agripino Maia (DEM-RN) e Deputado Federal Felipe Catalão Maia (DEM-RN): Colaborador Ariel Parente Costa afirmou que o Grupo Odebrecht doou R$ 100 mil a Agripino Maia e R$ 50 mil a Felipe Catalão em campanhas eleitorais. Os pagamentos foram feitos via caixa 2 pelo Setor de Operações Estruturadas. No sistema “Drousys”, o senador é chamado de “Pino” e Felipe Maia, de “Pininho”.

– Deputado Federal Ônix Lorenzoni (DEM-RS): Colaborador Alexandrino de Salles Ramos de Alencar afirmou que disse ao parlamentar “estamos percebendo o seu desempenho, a sua conduta, e nós gostaríamos de termos aí como um parceiro futuro nas suas atividades como deputado federal”. O Grupo Odebrecht repassou R$ 175 mil ao deputado via caixa 2 para a campanha de 2006.

– Deputado Federal Jarbas de Andrade Vasconcelos (PMDB-PE): Colaboradores João Antônio Pacífico Ferreira e Benedicto Barbosa da Silva Júnior afirmaram que pagaram R$ 700 mil via caixa 2 à campanha para o governo de Pernambuco, em 2010. O pagamento foi feito pelo Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, sendo que a planilha do grupo indica pagamentos de R$ 2 milhões. Vasconcelos recebeu o apelido de “Viagra”.

– Deputado Federal Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, (PT-SP): Colaboradores Carlos Armando Guedes Paschoal e Benedicto Barbosa da Silva Júnior afirmaram que, em 2010, o deputado recebeu R$ 30 mil em espécie, divididos em duas parcelas, para a campanha eleitoral daquele ano. Os pagamentos constam no sistema “Drousys” do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht. Vicentinho ganhou o apelido de “João Pessoa”.

– Senadora Marta Suplicy (PMDB-SP) e Márcio Toledo (arrecadador de campanha): Colaboradores Benedicto Barbosa da Silva Júnior e Carlos Armando Guedes Paschoal relataram que o Grupo Odebrecht fez doações para as campanhas eleitorais, em 2008, para a Prefeitura de São Paulo, e 2010, ao Senado. Os repasses foram feitos na pedido de Toledo, apontado como arrecadador das campanhas da parlamentar. Foram pagos, via caixa 2, R$ 550 mil e R$ 500, respectivamente. Toledo tinha o apelido de “Belo Horizonte” na lista do sistema ‘Drousys’.

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