EXCLUSIVO: Odebrecht confirma pagamento a empresa de assessor de Mantega por interesses na Fazenda e BNDES

Delação é base para pedido de investigação da PGR enviado na Lista de Fachin para o Ministério Público Federal no Distrito Federal, para apurar crimes de ex-ministro, segundo principal nome do PT nas tratativas de propinas para Lula e Dilma

Breno Pires, de Brasília, e Ricardo Brandt

11 de abril de 2017 | 20h06

Guido Mantega, preso pela Lava Jato, em 2016. Foto: REUTERS/Nacho Doce

Guido Mantega, de boné, preso pela Lava Jato, em 2016, e solto depois. Foto: REUTERS/Nacho Doce

O presidente afastado da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, confirmou em sua delação premiada que contratou uma empresa de um assessor do ex-ministro Guido Mantega, em 2011, para serviços de consultoria por valores desproporcionais ao objeto do contrato, em troca manter “as boas relações do grupo” no Ministério da Fazenda e no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

A revelação faz parte da mega delação premiada da Odebrecht, que inclui 78 executivos e ex-executivos, e serviu de base para os pedidos de inquéritos feitos pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que resultaram na Lista de Fachin.

“Trata-se de petição instaurada com lastro nas declarações prestadas pelo colaborador Marcelo Bahia Odebrecht, o qual relata que Luiz Eduardo Melin de Carvalho e Silva, chefe de Gabinete do então ministro da Fazenda Guido Mantega, teria lhe solicitado, no ano de 2011, a contratação da empresa DM Desenvolvimento de Negócios Internacionais para prestação de serviços de consultoria”, registra petição 6.740/DF, do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato, para os alvos com foro privilegiado.

“A referida empresa seria titularizada por Álvaro Luiz Vereda Oliveira e teria recebido valores desproporcionais ao objeto do contrato, circunstâncias motivadas pelo intuito de manutenção de boas relações do Grupo Odebrecht no âmbito do Ministério da Fazenda e do BNDES.”

A petição foi enviada por Fachin para a Procuradoria da República no Distrito Federal, porque o caso não tem alvos com direito a foro especial, por prerrogativa de função ou cargo.

Vereda e Mantega já são investigados na Operação Acrônico. A DM fez contrato com a Odebrecht no valor de US$ 7,6 milhões, em julho de 2010. O dono da empresa foi assessor da presidência do BNDES, em 2005, assessor especial do ex-ministro na Fazenda, em 2006, e secretário adjunto na Secretaria de Assuntos Internacionais da Pasta até 2010.

Registrado com o codinome “Pós-Itália”, nas planilhas do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, o chamado na Lava Jato de “departamento da propina”, Mantega era uma das principais pontes de contato do empresário com O PT, em especial o governo Dilma Rousseff.


COM A PALAVRA, O ADVOGADO ANDRÉ PERECMANIS

O advogado André Perecmanis, que representa Álvaro Luiz Vereda Oliveira, da DM Desenvolvimento de Negócios Internacionais, esclareceu que a empresa ‘está colaborando plenamente com a Justiça em Brasília’. Perecmanis destacou que já apresentou à Justiça, desde o ano passado, todos os contratos firmados pela empresa, incluindo a descrião detalhada de todos os serviços prestados em cada um deles.

LEIA A INTEGRA DA NOTA SUBSCRITA PELO ADVOGADO ANDRÉ PERECMANIS

“Desde 2016, a DM Desenvolvimento de Negócios Internacionais está colaborando plenamente com a Justiça em Brasília para que se comprove a idoneidade de todas as relações de trabalho e contratuais da empresa. Do ano passado para cá, apresentamos à Justiça todos os contratos firmados pela empresa, bem como a descrição detalhada de todos os serviços prestados em cada um deles, além de todas as transações financeiras realizadas, com atestados de regularidade de cada uma. Reafirmamos que a DM Desenvolvimento tem total interesse no amplo e rápido esclarecimento dos fatos, e que não participou de qualquer atividade ilegal ou criminosa. Continuaremos a colaborar 100% com as investigações até que não reste qualquer dúvida sobre a retidão de nossas práticas e do nosso trabalho.”
Atenciosamente,
André Perecmanis

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