EXCLUSIVO: Humberto Costa, o ‘Drácula’, recebeu propina com conhecimento de Temer, Dilma e Graça, diz delator

EXCLUSIVO: Humberto Costa, o ‘Drácula’, recebeu propina com conhecimento de Temer, Dilma e Graça, diz delator

Ex-líder do PT no Senado teria sido contemplado com quase R$ 600 mil por benefícios à Odebrecht em processo licitatório na Petrobrás

Breno Pires, de Brasília, e Vitor Tavares, de São Paulo

11 de abril de 2017 | 17h58

Humberto Costa. Foto: Andre Dusek/Estadão

Humberto Costa. Foto: Andre Dusek/Estadão

O ex-líder do PT do Senado, Humberto Costa (PE), teria recebido quase R$ 600 mil em propina da Odebrecht para o financiamento de sua campanha em 2010, apontaram executivos da empreiteira que firmaram acordos de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República. O valor teria sido tratado num processo licitatório que a construtora participou dentro do Plano de Ação de Certificação em Segurança, Meio Ambiente e Saúde (PAC SMS).

No pedido de abertura de inquérito – deferido pelo ministro Edson Fachin -, o Ministério Público Federal menciona ainda a ‘possível participação do atual presidente da República, Michel Temer, em virtude de suposta reunião da qual teriam participado (o ex-deputado) Eduardo Cunha e (o ex-ministro) Henrique Eduardo Alves, ocorrida em 15 de julho de 010, em São Paulo’.

A ex-presidente Dilma Rousseff e a ex-presidente da Petrobrás Graça Foster também teriam conhecimento dos fatos.

Segundo o Ministério Público Federal, a propina teria sido paga em troca da adjudicação de um contrato, que é a última fase de um processo de licitação. Neste caso, o Estado fica obrigado a contratar exclusivamente aquela empresa.

Além de Humberto Costa, o ex-senador Delcídio do Amaral (sem partido-MS) tinha ‘conhecimento dos termos do ajuste’ e teria ‘solicitado, a fim de custear campanhas eleitorais, parte da propina’.

As reuniões entre representantes do Grupo Odebrecht e da Petrobrás culminaram na solicitação de 3% do valor do contrato, caso a Odebrecht lograsse êxito no processo licitatório. O acordo teria reduzido o “caráter competitivo do certame”.

O ministro Edson Fachin autorizou a abertura do inquérito contra o senador pernambucano – o ‘Drácula’ na planilha da propina – de acordo com as delações dos executivos Rogério Santos de Araújo, Márcio Faria da Silva, César Ramos Rocha, Hilberto Mascarenhas Alves da Silva Filho, Luiz Eduardo da Rocha Soares e Marcelo Odebrecht.

COM A PALAVRA, HUMBERTO COSTA

“O senador, que espera a conclusão de inquérito aberto há mais de dois anos pelo STF, e para o qual a Polícia Federal já se manifestou em favor do arquivamento, aguarda ter acesso aos novos documentos para reunir as informações necessárias à sua defesa. O senador, que já abriu mão de todos os seus sigilos, se coloca, como sempre fez, à disposição das autoridades.”