EXCLUSIVO: Cinco delatores relatam elos de Rodrigo Maia com setor de propinas da empreiteira

EXCLUSIVO: Cinco delatores relatam elos de Rodrigo Maia com setor de propinas da empreiteira

Depoimentos de executivos ligados à Odebrecht indicam que até em ano sem eleição presidente da Câmara 'solicitou e recebeu' dinheiro

Breno Pires, de Brasília, e Fausto Macedo

11 de abril de 2017 | 16h21

Presidente da Câmara, Rodrigo Maia. FOTO:DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

Presidente da Câmara, Rodrigo Maia. FOTO:DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

Cinco delatores da Odebrecht revelaram à Procuradoria-Geral da República uma longa rotina de repasses de dinheiro da empreiteira ao presidnete da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM/RJ). Um colaborador, destaca o ministro Edson Fachin na decisão em que autoriza abertura de inquérito para investigar o parlamentar, contou que em 2008, Maia ‘solicitou e recebeu a soma de R$ 350 mil, a pretexto de auxílio à campanha eleitoral’.

“Entretanto, naquele ano, nem o parlamentar, tampouco seu pai, César Maria, foram candidatos a qualquer cargo eletivo”, assinalou Fachin, referindo-se a informação levada ao Supremo pelo procurador-geral da República Rodrigo Janot.

Os pagamentos teriam origem em recursos não contabilizados e por intermédio do Setor de Operações Estruturadas do Grupo Odebrecht – conhecido como o ‘Setor de Propinas’ da empreiteira.

Ao requerer abertura de inquérito contra Maia e seu pai, o procurador da República citou as declarações dos cinco colaboradores – Benedicto Barbosa da Silva Júnior, João Borba Filho, Cláudio Melo Filho, Carlos José Fadigas de Souza Filho e Luiz Eduardo da Rocha Soares.

Fachin registra, ainda amparado nas informações do procurador, que no ano de 2010 Maia ‘solicitou novo repasse, dessa feita para campanha de seu genitor, César Maia, sendo autorizado o pagamento de R$ 600 mil’.

Desse montante, R$ 400 mil teriam sido repassados ao parlamentar ‘por via do mesmo departamento do Grupo Odebrecht’.

Os delatores apresentaram à Procuradoria um cronograma constante no sistema ‘Drousys’, instalado no ‘Setor de Propinas’, e apontaram o nome de João Marcos Cavalcanti de Albuquerque, ‘assessor do deputado federal Rodrigo Maia, como intermediário das operações’.

O pedido de Janot ao ministro relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal descreve, ainda, ‘outros pagamentos no contexto de aprovação de medida provisória e para eleição do ano de 2014’

Na avaliação de Janot, o presidente da Câmara teria praticado os crimes de corrupção ativa e passiva, além de lavagem de dinheiro.

Fachin decretou o levantamento do sigilo dos autos e deferiu o pedido de Janot ‘para determinar a instauração de inquérito em face do deputado federal Rodrigo Maia e de César Maia’.

O ministro ordenou a remessa dos autos à Polícia Federal ‘para que, no prazo de 30 dias, atenda às diligências’.

COM A PALAVRA, RODRIGO MAIA

O presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse nesta terça-feira, 11, que confia na Justiça e tem convicção de o inquérito aberto contra ele pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, será arquivado.

“Eu vou repetir o que eu sempre tenho dito: eu confio na Justiça, confio no Ministério Público e confio na Polícia Federal. Os fatos serão esclarecidos e os inquéritos serão arquivados. Há citações de delatores, que o processo vai comprovar que são falsas e os inquéritos serão arquivados”, disse.

Maia também disse acreditar que as investigações não vão atrapalhar o andamento dos trabalhos do Congresso, como a votação da reforma da Previdência. “O Ministério Público e a Justiça vão fazer o seu trabalho de forma competente, cabe ao Congresso cumprir seu papel institucional de legislar. Há separação dos poderes”, disse.

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