Ex-vice de Aras é eleito para Conselho Superior do Ministério Público Federal

Ex-vice de Aras é eleito para Conselho Superior do Ministério Público Federal

José Bonifácio Borges de Andrada e Maria Caetana Cintra Santos foram eleitos para o órgão máximo da Procuradoria; braço direito do PGR, Lindôra Araújo desistiu de candidatura

Paulo Roberto Netto

30 de junho de 2020 | 20h39

Os subprocuradores José Bonifácio Borges de Andrada e Maria Caetana Cintra Santos foram eleitos na votação interna da Procuradoria-Geral da República para duas cadeiras no Conselho Superior do Ministério Público Federal. A eleição foi realizada nesta terça, 30, por um meio de sistema eletrônico de votação e restrita somente aos subprocuradores.

Os resultados colocam o ex-vice de Aras no órgão máximo da entidade. José Bonifácio Andrada atuava como número dois do PGR desde setembro do ano passado, mas deixou o cargo em março após acumular desgastes com Aras. Ele também já havia ocupado a função de vice-procurador-geral da República no segundo mandato de Rodrigo Janot.

Mais próxima do PGR, Maria Cintra Santos já integrava o Conselho Superior do MPF e foi reeleita para mais um mandato. O vice de Aras, o subprocurador Humberto Jacques de Medeiros também ocupa uma cadeira, assim como o próprio PGR, que preside o órgão.

O procurador-geral da República, Augusto Aras. Foto: Adriano Machado / Reuters

A eleição ocorreu em meio à crise interna provocada dentro da PGR por uma visita da subprocuradora Lindôra Araújo, braço-direito de Aras, à sede da Lava Jato em Curitiba. A força-tarefa tratou a ida como uma ‘diligência’ para obter dados e informações sigilosas da operação. A PGR nega.

O mal-estar causado pela visita, contudo, levou Lindôra a desistir de sua candidatura à uma vaga no Conselho. Em mensagem publicada na rede interna da Procuradoria, a aliada de Aras disse que retirava seu nome da eleição em razão das ‘inúmeras atividades’ que vinha exercendo. Na última sexta, 26, integrantes do grupo de trabalho da Lava Jato na PGR, sob coordenação de Lindôra, debandaram após as acusações feitas pelo Ministério Público Federal do Paraná.

Na semana passada, dois opositores de Aras venceram as eleições gerais para o mesmo conselho. Naquela votação, todos os procuradores-gerais, procuradores regionais e subprocuradores votaram. Os escolhidos foram os subprocuradores Mario Bonsaglia, primeiro lugar na lista tríplice ignorada por Bolsonaro, e Nicolau Dino. Ambos desbancaram três nomes ligados ao PGR.

Por ter sido uma eleição que contou com votos de todos os procuradores, o resultado serviu de termômetro do tamanho da oposição à Aras dentro da Procuradoria.

O Conselho Superior do Ministério Público Federal é o órgão máximo da Procuradoria, presidido pelo PGR, com a função de elaborar e aprovar normas internas e realizar sindicâncias e aplicar sanções a procuradores a partir de processos administrativos disciplinares.

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