Ex-vice da Engevix pede a Moro para falar

Ex-vice da Engevix pede a Moro para falar

Gerson Almada pediu ao juiz da Lava Jato para ouvi-lo antes de decidir se aceita denúncia do Ministério Público Federal sobre propinas das empreiteiras Engevix e UTC no valor de R$ 2,4 milhões para o ex-ministro José Dirceu durante e depois do julgamento do Mensalão

Julia Affonso, Luiz Vassallo e Ricardo Brandt

15 de junho de 2017 | 06h00

Gerson Almada. Foto: Werther Santana/Estadão

O ex-vice-presidente da Engevix Gerson Almada pediu ao juiz federal Sérgio Moro para falar na Operação Lava Jato. O magistrado autorizou e determinou à Polícia Federal que ouça o executivo em 10 dias.

A solicitação de Gerson Almada foi feita nos autos da denúncia do Ministério Público Federal sobre propinas de R$ 2,4 milhões das empreiteiras Engevix e UTC para o ex-ministro José Dirceu (Casa Civil – Governo Lula). O petista teria recebido os valores durante e depois do julgamento do Mensalão – ação penal em que o petista foi condenado.

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A acusação da força-tarefa da Lava Jato foi ajuizada em 2 de maio e ainda não foi recebida por Moro. Gerson Almada pediu para falar antes de o magistrado decidir se coloca ou não os investigados no banco dos réus. Além do executivo e de Dirceu, são acusados Luiz Eduardo de Oliveira e Silva, irmão do ex-ministro; João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT; e Walmir Pinheiro Santana, ex-executivo da UTC.

Ao aceitar o pedido, Moro considerou que ‘a denúncia envolve pessoas já condenadas em mais de uma ação penal’.

“Observo, porém, que apesar da afirmada intenção de colaboração não está o acusado em questão abrigado por qualquer acordo de colaboração”, anotou o juiz da Lava Jato em decisão tomada na terça-feira, 13.

“Ciência ao defensor em questão que deverá procurar a autoridade policial para agendar e apresentar o seu cliente perante a Polícia Federal em Curitiba no referido prazo. Ciência, por oportuno, ao Ministério Público Federal que, querendo, poderá fazer-se presente e formular perguntas.”

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Gerson Almada fez a solicitação a Moro em 6 de junho. No requerimento, subscrito por ele e por seus advogados Antônio Sérgio Pitombo e Flávia Mortari Lotfi, o executivo informa a Moro que ‘tomou conhecimento’ sobre a denúncia de lavagem de dinheiro pela imprensa.

Na avaliação de Gerson Almada, a acusação não deve ser recebida por Moro, ‘porque infiel à verdade’.

“Os fatos ali narrados não traduzem a realidade dos acontecimentos, e o peticionário (Gerson Almada) está disposto a prestar os esclarecimentos necessários e apresentar documentos pertinentes ao caso concreto, de modo a colaborar com os trabalhos da Justiça Pública”, destacou o executivo.

Gerson Almada já foi condenado em duas ações penais na Lava Jato.

Em dezembro de 2015, o juiz Moro aplicou 19 anos de prisão, por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Segundo a denúncia do Ministério Público Federal, a Engevix simulou contratos de prestação de serviços com empresas controladas pelo doleiro Alberto Youssef, GFD Investimentos, MO Consultoria e Empreiteira Rigidez, ‘repassando a ele os recursos criminosos obtidos com os antecedentes crimes de cartel e ajuste fraudulento de licitação’. Os valores lavados eram destinados à Diretoria de Abastecimento da Petrobrás.

Em maio de 2016, o magistrado condenou o executivo a 15 anos e 6 meses de cadeia por corrupção e lavagem de dinheiro. Segundo a denúncia, a Engevix teria feito pagamento de propina junto a Diretoria de Serviços da Petrobrás.

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