Ex-tesoureiro do PT nega ter proposto ‘afinar versões’ com delator em 2015

Ex-tesoureiro do PT nega ter proposto ‘afinar versões’ com delator em 2015

Paulo Ferreira entregou-se à Justiça e afirmou que não conversa com lobista Milton Pascowitch desde 2012

Fausto Macedo, Julia Affonso, Ricardo Brandt e Mateus Coutinho

24 de junho de 2016 | 15h43

Paulo Ferreira. Foto: Clayton de Souza/AE

Paulo Ferreira. Foto: Clayton de Souza/AE

O ex-tesoureiro do PT Paulo Ferreira negou ao juiz federal Paulo Bueno de Azevedo na tarde desta sexta-feira, 24, em audiência de custódia, ter proposto, em 2015, ajuste de versões com o lobista Milton Pascowitch sobre o Caso Consist – empresa de software que teria montado fraude milionária com dinheiro de empréstimos consignados no âmbito do Ministério do Planejamento, na gestão do então ministro Paulo Bernardo. Ferreira disse que não conversa com o Pascowitch desde 2012.

Delator da Operação Lava Jato, Pascowitch foi um dos pivôs da decretação da prisão de Ferreira na Custo Brasil. Segundo o delator, logo após a prisão do ex-vereador do PT em Americana Alexandre Romano, o Chambinho, o ex-tesoureiro petista o procurou e lhe teria dito: “vamos afinar as histórias, as versões.”

Chambinho foi preso na Lava Jato em agosto de 2015, por suspeita de envolvimento no esquema Consist. Chambinho fez delação premiada e revelou como eram realizados repasses ilícitos que beneficiaram o próprio Paulo Bernardo e o PT, a partir de um desvio estimado pela Custo Brasil em R$ 100 milhões entre 2010 e 2015. O ex-ministro, preso pela PF na quinta, teria recebido R$ 7,1 milhões do montante desviado.

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O juiz federal Paulo Bueno ordenou a prisão do ex-tesoureiro do PT – cuja sede em São Paulo foi alvo de buscas nesta quinta, 23 -, sob a alegação de que ele poderia fugir e por em risco a ordem pública e a aplicação da lei penal.

Quando sua prisão foi ordenada, Paulo Ferreira estava em Brasília. Decidiu, então, entregar-se diretamente à Justiça Federal. Para evitar ser detido no Aeroporto, ele deslocou-se de carro para São Paulo.

Na decisão de 75 páginas em que mandou deflagrar a Custo Brasil, o juiz Paulo Bueno de Azevedo dedicou trechos ao ex-tesoureiro do PT, baseado em informações da Polícia Federal e da Procuradoria da República – instituições que requereram a prisão de Paulo Ferreira. O juiz fez menção, ainda, ao sucessor de Ferreira, João Vaccari Neto – preso na Operação Lava Jato -, e a dois ex-ministros petistas, Luís Gushiken e Carlos Gabas, este alvo de buscas na Operação Custo Brasil, deflagrada na quinta-feira, 23.

“Paulo Adalberto Alves Ferreira, ex-tesoureiro do PT, antecessor de João Vaccari Neto. Mantinha negócios com Alexandre Romano (Chambinho) e teria iniciado as tratativas relacionadas à Consist e o Sindicato Nacional das Entidades Abertas de Previdência Complementar (SINAPP) com Luís Gushiken e Carlos Gabas). Apõs deixar o cargo de tesoureiro do PT, teria orientado Alexandre Romano a tratar do tema Consist com o novo tesoureiro, João Vaccari Neto. Paulo Ferreira é suspeito, ainda, de receber valores oriundos da Consist, por intermédio do escritório de advocacia Portanova Advogados, absorvendo parte do valor que seria devido a Guilherme Gonçalves/Paulo Bernardo, a partir de 2014.”

No início da tarde desta sexta, acompanhado de seu advogado, o criminalista José Roberto Batochio, o petista apresentou-se ao juiz.

“A prisão preventiva de Paulo Ferreira é absolutamente desnecessária”, afirma Batochio.

Para o advogado ‘deve estar havendo algum equívoco’.

“Existe, ao que parece, algum outro Paulo nessa história, que não é Paulo Ferreira”, afirmou o criminalista.

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