Ex-tesoureiro do PT, enfim, paga fiança à Lava Jato

Ex-tesoureiro do PT, enfim, paga fiança à Lava Jato

Paulo Ferreira, alvo da Operação Abismo, entrega à Justiça comprovante de depósito de R$ 34,9 mil, valor remanescente do total de R$ 200 mil estabelecido pelo juiz Sérgio Moro para que o petista fosse colocado em liberdade

Julia Affonso, Ricardo Brandt e Fausto Macedo

17 Março 2017 | 05h25

Paulo Ferreira. Foto: Sergio Castro/AE

Paulo Ferreira. Foto: Sergio Castro/AE


Um mês e meio após deixar a cadeia da Lava Jato, o ex-tesoureiro do PT Paulo Ferreira informou à Justiça que quitou o valor de sua fiança. Os advogados que defendem o petista entregaram ao juiz federal Sérgio Moro nesta quarta-feira, 15, um comprovante de depósito de R$ 34.988 mil – saldo remanescente do montante total de R$ 200 mil que Moro impôs a Ferreira para soltá-lo.

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Alvo da Operação Abismo, 31.º desdobramento da Lava Jato que investiga propinas em obras do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento da Petrobrás (Cenpes), Ferreira foi preso em 23 de junho do ano passado.

Em dezembro, Ferreira confessou a Moro, durante audiência na 13.ª Vara Federal de Curitiba, base da Lava Jato, que ‘o PT – e os outros partidos políticos – trabalha com recursos não contabilizados’.

“Negar informalidades nos processos eleitorais brasileiros de todos os partidos é negar o óbvio’”, disse, na ocasião.

Dois dias após a confissão, Moro mandou soltar o petista, mas em contrapartda estipulou fiança de R$ 1 milhão. Ferreira, no entanto, ficou preso por quase dois meses, pois, segundo sua defesa, não tinha como recolher a quantia estabelecida.

Em janeiro, a juíza Gabriela Hardt, substituta de Moro em férias, reduziu a fiança para R$ 200 mil, valor também não alcançado por Ferreira – seus advogados depositaram R$ 164,9 mil e ofertaram ainda um Citroen C4 Pallas 2.0.

Em 2 de fevereiro, o juiz da Lava Jato, de volta das férias, confirmou o valor a ser recolhido em R$ 200 mil e mandou soltar o ex-tesoureiro, mas determinou que a quantia remanescente deveria ser depositada em 45 dias. “Concedendo ao acusado o benefício da dúvida, pois é possível que tenha gasto o valor que lhe teria sido repassado com consumo ou em outras finalidades, é o caso de liberá-lo desde logo”, decidiu Moro, então.

Ao mandar soltar o ex-tesoureiro, Moro impôs a ele, além da fiança, cinco condições – a) proibição de deixar o país e a obrigação de entregar os seus passaportes, brasileiros e estrangeiros? b) comparecimento a todos os atos do processo, salvo se dispensado expressamente? c) proibição de deixar sua residência por mais de 20 dias sem autorização do Juízo? d) proibição de mudar de residência sem autorização do Juízo? e) proibição de se aproximar ou de contatar, direta ou indiretamente, outros acusados ou testemunhas deste feito e seus familiares, inclusive e principalmente Alexandre Correa de Oliveira Romano (Chambinho, delator).

Nesta quarta-feira, 15, enfim, os advogados que defendem o petista entregaram a Moro um comprovante de depósito de R$ 34.988 mil. Ferreira está livre da prisão, mas não da Lava Jato.

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