Ex-subsecretário da Saúde do Rio tentou ‘blindar’ empresário delator da Operação Calvário

Ex-subsecretário da Saúde do Rio tentou ‘blindar’ empresário delator da Operação Calvário

Cesar Romero, preso pela Polícia Federal nesta quinta, 16, teria omitido fatos em sua própria delação para proteger Daniel Gomes, pivô da investigação que levou à prisão o ex-governador da Paraíba Ricardo Coutinho

Luiz Vassallo

16 de janeiro de 2020 | 19h27

Reprodução

Preso nesta quinta, 16, por ordem do juiz Marcelo Bretas, da 7.ª Vara Criminal Federal do Rio, o ex-subsecretário de Saúde do estado Cesar Romero está sob suspeita de omitir fatos em sua delação para proteger um empresário alvo da Operação Calvário – investigação sobre desvios de R$ 134 milhões na saúde da Paraíba, na qual Romero é citado por delatores.

Documento

A ex-secretária pessoal do empresário Daniel Gomes – também colaborador -, Michele Louzada, relatou como Romero teria vazado investigações, o que teria resultado na retirada de documentos de sua empresa antes da chegada da Polícia Federal para cumprimento de buscas e apreensões.

Segundo Michelle, em 2010, ela recebeu ‘uma determinação de Daniel Gomes para ir à empresa Toesa e retirar documentos relacionados ao contrato de manutenção com a Secretaria Estadual de Saúde do Rio, pois Daniel havia recebido uma mensagem de Cesar Romero de que Sérgio Cortes (então secretário da Saúde) teria avisado que no dia seguinte haveria uma busca e apreensão na sede da empresa e em outros locais’.

No dia seguinte, a busca realmente ocorreu. “No ano de 2010, ano em que me encontrava gestante, recebi ordens expressas de Daniel Gomes, que se encontrava em reunião fora do Estado do Rio de Janeiro, para que eu chegasse à empresa no dia seguinte por volta de 04h00min da manhã. Que, falei com ele da minha dificuldade, pois minha gestação já estava bem avançada e nesse horário a condução de Duque de Caxias para Bonsucesso seria difícil.”

“Daniel Gomes então me explicou que haveria uma busca e apreensão na sede da empresa e que precisava que eu chegasse bem cedo para retirar alguns documentos que pudesse prejudicá-lo, determinando, então, que uma ambulância da empresa fosse me buscar em casa (Duque de Caxias).

Segundo Louzada, ‘na madrugada, ao chegar à empresa, com o dia ainda escuro’, ela foi ‘direto para o quinto andar do edifício, onde atuava a direção da empresa’. “Olhei em minha mesa, que se posicionava a frente da sala de Daniel Gomes, e retirei pequenas coisas, como agenda de compromissos do Daniel Gomes, a qual indicava o local onde ele estaria naquele momento, além de muitos convites da casa de Show VIVO RIO, com a qual a Toesa tinha contrato e por essa razão recebíamos semanalmente grande numero de convites de cortesia, que eram direcionados a diretores de hospitais e chefes de contratos (principalmente os contratos com a SESRJ)”.

“Na sala de Daniel Gomes não encontrei nada que pudesse prejudicá-lo, havia na sala arquivos de todos os contratos da empresa, mas nada que eu entendesse ser errado, por isso nada foi retirado. Apenas a agenda de compromissos e os convites já endereçados foram retirados e colocados no veículo de Daniel Gomes que estava estacionado em um galpão da empresa Toesa”, relata.

De acordo com Louzada, ‘algum tempo depois os policiais chegaram e iniciou o processo de busca e apreensão’.

“Mas eu não acompanhei todo procedimento pois senti uma enorme indisposição com todo aquele procedimento, muitos policiais, muitas armas, emissoras de TV na portaria e toda aquela grande movimentação de pessoas, que fugia completamente do dia a dia padrão da empresa, fez com que eu tivesse que aguardar sentada na recepção, até o término.”

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