Ex-secretário do PT recebeu R$ 508 mil da OAS e da UTC, aponta Lava Jato

Ex-secretário do PT recebeu R$ 508 mil da OAS e da UTC, aponta Lava Jato

Para investigadores, pagamentos se referem à “mesada” que o partido destinou a Silvio Pereira, preso na Operação Carbono nesta sexta-feira, 1

Julia Affonso, Ricardo Brandt, Andreza Matais e Fausto Macedo

01 de abril de 2016 | 16h58

O ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira. Foto: Jamil Bittar/Reuters

O ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira. Foto: Jamil Bittar/Reuters

Atualizada às 17h37

Relatório do Ministério Público Federal na Operação Carbono 14, desdobramento 27 da Lava Jato, aponta que o ex-secretário do PT Silvio Pereira recebeu R$ 508.682 das empreiteiras OAS e UTC Engenharia entre 2009 e 2011. O dinheiro foi repassado a uma das empresas de Silvio Pereira, a DNP Eventos. O ex-secretário do PT foi preso temporariamente nesta sexta-feira, 1, na Carbono 14.

“É provável que tais pagamentos se refiram à “mesada” que o PT destinou a Silvio Pereira por intermédio de desvios em contratos que a UTC e a OAS mantinham com a Petrobrás”, sustenta o documento da força-tarefa da Lava Jato.

Documento

Silvio Pereira é quadro histórico do PT. O ex-secretário da legenda foi denunciado pelo crime de associação criminosa no caso do mensalão. Não foi condenado por ter aceito proposta de suspensão condicional do processo.

Segundo a Lava Jato, o ex-secretário do partido controlava, além da DNP Eventos, a empresa Central de Eventos e Produções. Pela DNP, Silvio Pereira recebeu um total de R$ 925.070,50 da OAS, UTC, da Projetec, da Treviso e de publicidade relacionada ao PT.

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A força-tarefa aponta que a Central de Eventos e Produções ‘teve relacionamentos financeiros identificados com alvos da Operação Lava Jato’, pois recebeu, ao todo, R$ 400.500 entre 21 de maio de 2007 e 28 de novembro de 2009 dos investigados: 1) Julio César dos Santos, ligado ao ex-ministro José Dirceu; 2) TGS Consultoria, também relacionada a Dirceu; e 3) SP Terraplenagem, ligada ao lobista Adir Assad, condenado na Lava Jato.

“A Central de Eventos e Produções LTDA. “devolveu” R$ 170.120 a Julio César dos Santos e a TGS Consultoria. Cabe destacar que Julio César Campos foi um dos sócios da Central de Eventos, o que, em tese, poderia explicar o repasse como uma distribuição de lucros”, destaca a força-tarefa.

Somando, as duas empresas de Silvio Pereira receberam R$ 1.325.570,50.

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DNP Eventos. A Procuradoria da República sustenta que a construtora OAS pagou R$ 486.160 em quatro vezes. Uma em 2009, duas em 2010 e uma em 2011. Da UTC, foi identificado um depósito no valor de R$ 22.522,50 em 2011. A OAS e a UTC são investigadas na Lava Jato por suspeita de cartel na Petrobrás.

Segundo o dono da UTC, Ricardo Pessoa, delator da Lava Jato, parte das propinas da Petrobrás destinadas ao PT foram pagas por intermédio de doações eleitorais oficiais entre os anos de 2006 e 2012.

Os procuradores identificaram ainda que a DNP Eventos recebeu R$ 154 mil da empresa Projetec, controlada por outro delator da Lava Jato, o empresário Augusto Mendonça, entre 14 de julho de 2010 e 15 de dezembro de 2010 e de R$ 12.388 da empresa Treviso Empreendimentos, do lobista Julio Camargo em 19 de janeiro de 2012. Julio Camargo também é delator do esquema de corrupção instalado na Petrobrás e relatou propina deUS$ 5 milhões do presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Augusto Mendonça e Julio Camargo já foram condenados na Lava Jato.

” Augusto Mendonça falou que Silvio Pereira teria lhe prestado serviços de pesquisas eleitorais. Alegou que tinha conhecimento que Silvio Pereira tinha relação próxima ao PT e a Petrobrás, alegando que contratou os serviços para ajudá-lo em razão de uma crise financeira que estaria passando após o processo do Mensalão”, afirma o relatório da Procuradoria.

O documento aponta que a DNP Eventos recebeu aproximadamente R$ 250 mil ‘como pagamento por possíveis serviços de publicidade por carros de som e pagamento de material gráfico para campanhas de candidatos do PT na eleição municipal de 2012’.

“Aparentemente, a prestação de tais serviços é incompatível com o objeto social da empresa”, afirma a força-tarefa.

O Ministério Público Federal havia requerido a prisão preventiva de Silvio Pereira. A força-tarefa viu ‘prática habitual de crimes e de total descaso com a Justiça’ por parte do ex-secretário do PT.

O juiz federal Sérgio Moro, que conduz as ações da Lava Jato, concedeu a custódia temporária, válida por 5 dias.

“Embora talvez cabível, no contexto, a prisão preventiva de ambos, reputo nesse momento mais apropriada em relação a eles a prisão temporária, como medida menos drástica, o que viabilizará o melhor exame dos pressupostos e fundamentos da preventiva após a colheita do material probatório na busca e apreensão”, afirmou o magistrado. “A prisão temporária ampara-se ainda nos indícios de prática de crimes de corrupção, lavagem, fraudes, além de associação criminosa.”

A Operação Carbono prendeu o empresário Ronan Maria Pinto, dono do Diário do Grande ABC. O ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e o jornalista Breno Altman, próximo do ex-ministro José Dirceu e um dos pensadores do PT, foram conduzidos coercitivamente a prestar depoimento.

O advogado de Delúbio Soares e de Bruno Altman não foram localizados. O espaço está aberto para as defesas do ex-tesoureiro do PT e do jornalista se manifestarem.

COM A PALAVRA, A DEFESA DE SILVIO PEREIRA

A defesa não vai se manifestar, pois não tomou conhecimento do caso.

COM A PALAVRA, A UTC

NOTA À IMPRENSA

“A UTC não se pronuncia sobre investigações em andamento.”

COM A PALAVRA, A OAS

A OAS informou que não comentará o assunto.

COM A PALAVRA, RONAN MARIA PINTO

Nota – Esclarecimentos – Ronan Maria Pinto

Sobre a Fase da Operação Lava Jato
Nota Ronan Maria Pinto
Há meses reafirmamos que o empresário Ronan Maria Pinto sempre esteve à disposição das autoridades de forma a esclarecer com total tranquilidade e isenção as dúvidas e as investigações do âmbito da Operação Lava Jato, assim como a citação indevida de seu nome. Inclusive ampla e abertamente oferecendo-se de forma espontânea para prestar as informações que necessitassem.

Mais uma vez o empresário reafirmará não ter relação com os fatos mencionados e estar sendo vítima de uma situação que com certeza agora poderá ser esclarecida de uma vez por todas.

Solicitamos à imprensa atenção a essa nota e mais seriedade e sobriedade na apresentação do empresário, assim como nas informações e afirmações que vêm sendo feitas e divulgadas. Todas as denúncias que o envolveram ao longo dos anos foram ou estão sendo investigadas e Ronan Maria Pinto vem sendo defendido e absolvido. A mais recente, uma sentença de primeira instância, onde houve condenação, encontra-se em grau de recurso.

Essas são as informações.

Aguardamos mais detalhes sobre a totalidade da Operação.
Cordialmente,

Assessoria de Imprensa

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