Ex-secretário de Saúde do Rio é alvo de operação que mira suspeitas de desvios em hospital universitário

Ex-secretário de Saúde do Rio é alvo de operação que mira suspeitas de desvios em hospital universitário

Fernando Ferry foi diretor do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle, vinculado à Unirio, antes de assumir a pasta; Polícia Federal suspeita de direcionamento e desvios em contratações

Rayssa Motta

10 de fevereiro de 2021 | 07h58

A Polícia Federal abriu na manhã desta quarta-feira, 10, a Operação Desmascarados para avançar nas investigações sobre suspeitas de irregularidades em contratações no Hospital Universitário Gaffrée e Guinle, vinculado à Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), durante a pandemia do novo coronavírus.

Os agentes fazem buscas em cinco endereços na Tijuca, Maracanã e Jacarepaguá, na capital, e em Duque de Caxias, na baixada fluminense. Os mandados foram expedidos pela 5ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro.

Nesta etapa, os nomes de todos investigados não foram divulgados – há funcionários públicos e empresários entre eles, incluindo o ex-secretário estadual de Saúde, Fernando Ferry, que antes de assumir a pasta foi diretor do hospital. O grupo pode responder por organização criminosa, peculato e fraudes em licitação, segundo a PF.

O ex-secretário estadual de Saúde do Rio, Fernando Ferry. Foto: Reprodução/Youtube/Instituto Benjamin Constant

A investigação apontou indícios de direcionamento das contratações para aquisição de equipamentos de proteção individual e desvio de recursos através do sobrepreço do material comprado. Uma auditoria da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH) e relatório de fiscalização da Controladoria Geral da União (CGU) reforçam as suspeitas, afirma a Polícia Federal.

“As auditorias e as investigações indicam o favorecimento de determinado grupo de empresas que para cometimento dos delitos contavam com a conivência de funcionários públicos”, informou a Polícia Federal.

De acordo com a corporação, em apenas uma compra emergencial, com dispensa de licitação, no valor total de R$ 1,2 milhão, 6,5 mil máscaras e 6,5 mil aventais foram comprados pelos preços unitários de R$ 47,80 e R$ 49,50, respectivamente, enquanto haviam sido cotados em Chamamento Público da EBSERH por R$ 12,50 e R$ 15.

“Neste caso, a CGU apontou sobrepreço no valor de R$ 650.270,00, e um superfaturamento, de R$ 398.444,00, além de fortes indícios da montagem do processo realizada pelo Hospital Universitário Gaffrée e Guinle”, diz a PF.

COM A PALAVRA, O EX-SECRETÁRIO FERNANDO FERRY

A reportagem entrou em contato com o ex-secretário e aguarda resposta.

COM A PALAVRA, O HOSPITAL

“A Superintendência do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle esclarece que tais compras foram realizadas na gestão passada. A atual gestão assumiu em julho de 2020.

Desde então, vêm sendo realizados diversos relatórios de apuração, incluindo relatórios de auditoria a respeito desse tema. Já no início do levantamento, resquícios de pagamentos referentes a esse material já haviam sido suspensos e renegociados com a empresa para correta adequação do valor de mercado.

A investigação foi feita a partir de informações repassadas pela auditoria da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), estatal vinculada ao MEC que administra 40 hospitais universitários federais no país, e pela auditoria do próprio hospital, que encaminharam os dados para a CGU.

Ou seja, dentro das competências da administração do hospital e da Ebserh, foram tomadas as providências para a devida apuração. Os relatórios a respeito destes itens já foram, também, encaminhados para os órgãos de controle, como CGU, a própria matriz da Ebserh, o Ministério Público e o TCU. Inclusive, o HUGG reforça que segue ao lado da Polícia Federal para disponibilizar qualquer tipo de informação necessária a respeito do tema. “

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