Ex-secretário de Paes usou a mãe e filhos para ocultar propina, diz  Procuradoria

Ex-secretário de Paes usou a mãe e filhos para ocultar propina, diz Procuradoria

Alexandre Pinto, preso nesta terça-feira, 23, na Operação Mãos à Obra, é acusado da prática de vários crimes de lavagem de dinheiro supostamente ilícito de obras na administração Eduardo Paes, no Rio

Constança Rezende/RIO

23 Janeiro 2018 | 13h28

Ex-secretário municipal de Obras Alexandre Pinto. Foto: FABIO MOTTA/ESTADÃO

O ex-secreta?rio de Obras do prefeito Eduardo Paes (MDB), Alexandre Pinto, preso pela segunda nesta terça, 23, pela Polícia Federal, é acusado de usar a mãe e os filhos para ocultar propinas recebidas em empreendimentos do município. A informação foi divulgada nesta terça-feira, 23, na nova denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal no Rio (MPF) contra o ex-secretário. Ele é acusado de vários crimes de lavagem de dinheiro.

O MPF identificou repasses feitos por empreiteiras contratadas para executar as obras da Transcarioca e da recuperação ambiental da Bacia de Jacarepagua?. De acordo com a denúncia, uma das formas usadas por Pinto para ocultar a origem dos recursos era receber depósitos, em dinheiro, na conta poupança de sua ma?e, de R$ 305 mil, mas que era movimentada exclusivamente por ele.

Alexandre Pinto tambe?m teria adquirido imo?veis e realizado investimentos com valores obtidos com os crimes de corrupção em nome de seus filhos para ocultar a propriedade dos bens e a origem dos recursos, segundo o MPF.

Em 2016, ele teria transferido imo?veis para a empresa Atlas Administrac?a?o de Imo?veis Pro?prios, constituída em nome de seus filhos, de acordo com a denúncia, “exclusivamente com a finalidade de administrar o patrimônio imobiliário do ex-secretário de Obras”.

Segundo a denúncia, os filhos do ex-secretário, jovens de 20 e 21 anos a? época dos fatos, afirmam apenas ter assinado os papéis a pedido do pai. “Alexandre Pinto da Silva ocultou sua condic?a?o de real proprieta?rio dos imo?veis, tendo por objetivo blindar o patrimo?nio adquirido como proveito dos crimes antecedentes de corrupc?a?o passiva e distanciar ainda mais os imo?veis adquiridos da origem criminosa dos valores utilizados para sua aquisic?a?o”, afirmam os procuradores da Repu?blica.

A propina combinada por Alexandre Pinto, que foi preso pela segunda vez nesta terça-feira, 23, correspondia a cerca de 1% um do valor total de cada uma das obras.

O MPF identificou o pagamento ao ex-secreta?rio de Obras de ao menos R$ 750 mil da Carioca Engenharia e R$ 750 mil da OAS para garantir o direcionamento do processo licitato?rio das obras da Transcarioca ao Conso?rcio Transcarioca Rio.

Nas obras de recuperac?a?o da Bacia de Jacarepagua?, foram pagos pelo menos R$ 500 mil reais pela Carioca Engenharia.

A reportagem está tentando contato com a defesa do ex-secretário Alexandre Pinto. O espaço está aberto para manifestação.