Ex-secretário de Governo de Pezão esperou PF ‘vestido socialmente’ e já com diploma na mão

Ex-secretário de Governo de Pezão esperou PF ‘vestido socialmente’ e já com diploma na mão

Comportamento de Affonso Monnerat, preso na Operação Furna da Onça no dia 8, na avaliação do desembargador Abel Gomes, do TRF2, demonstra que houve ‘vazamento evidente’ da investigação

Julia Affonso

15 Novembro 2018 | 05h30

Às 6h do dia 8 de novembro, uma quinta-feira, o então secretário de Governo do Rio Affonso Monnerat abriu a porta de sua casa ‘vestido socialmente e com seu diploma de formação acadêmica em envelope devidamente separado’. À sua frente, agentes da Polícia Federal tinham nas mãos um mandado de prisão contra ele, alvo da Operação Furna da Onça – investigação sobre mensalinho de propinas a pelo menos dez deputados estaduais.

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O comportamento de Monnerat, na avaliação do desembargador Abel Gomes, do Tribunal Regional Federal da 2.ª Região (TRF-2), demonstra que houve ‘vazamento evidente’ da Furna da Onça.

Para os investigadores, ao abrir a porta de casa com o diploma na mão, o ex-secretário do governo Luiz Fernando Pezão provavelmente já indicava sua reivindicação por uma cela especial.

Segundo o magistrado, na casa do então secretário do governo Pezão (MDB) ‘não foram localizados computadores ou documentos, sendo também constatado a partir de acesso ao seu aparelho celular que conversas de aplicativo (whatsapp) teriam sido apagadas, restando pouquíssimos diálogos, tudo a demandar maior esforço das autoridades da persecução com vistas a recuperar dados no aparelho celular deste investigado’.

A Operação Furna da Onça mira um esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e loteamento de cargos públicos e mão de obra terceirizada em órgãos da administração estadual que teria movimentado R$ 54,5 milhões.

Os parlamentares investigados votariam de acordo com os interesses do ex-governador Sérgio Cabral (MDB), na Assembleia, e, em troca, receberiam ‘mensalinhos’, que podiam chegar a R$ 900 mil, e também poderiam nomear apadrinhados para cargos em órgãos como o Detran-RJ e a Fundação da Infância e a Adolescência (FIA), e em empresas terceirizadas.

Monnerat teve a prisão temporária convertida em preventiva por Abel Gomes, na segunda-feira, 12. O ex-secretário havia sido chefe de gabinete de Wilson Carlos – braço direito de Sérgio Cabral e apontado pela investigação como operador financeiro do esquema de corrupção atribuído ao ex-governador.

No dia 8, quando Monnerat foi preso, o governador do Rio Luiz Fernando Pezão (MDB) informou que havia aceitado o pedido de exoneração de seu secretário de Governo. Na ocasião, o governador reafirmou ‘sua confiança na inocência’ de Monnerat.

A investigação da Furna da Onça aponta que o ex-secretário ‘aparece na planilha apreendida na fase ostensiva da Operação Cadeia Velha como detentor de cinco postos de trabalho, inclusive no Detran/RJ’.

Affonso Monnerat foi ainda ‘citado em diálogo travado entre Aloysio Neves, então conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio, e André Vinícius Gomes da Silva, no qual se discute a possibilidade obter a indicação a cargos no posto do Detran/RJ, no Município de Magé’.

COM A PALAVRA, AFFONSO MONNERAT

A reportagem está tentando contato com a defesa de Affonso Monnerat. O espaço está aberto para manifestação.

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