Ex-procurador-geral de Justiça do Rio no banco dos réus por propinas de R$ 7,2 mi

Ex-procurador-geral de Justiça do Rio no banco dos réus por propinas de R$ 7,2 mi

Claudio Lopes teria recebido uma mesada de R$ 150 mil após ser indicado pelo ex-governador Sérgio Cabral, segundo a denúncia

Luiz Vassallo

10 de fevereiro de 2020 | 22h45

O ex-procurador-geral de Justiça do Rio Cláudio Lopes, em 2011 Foto: WILTON JÚNIOR/ESTADÃO

O Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) aceitou, por unanimidade de votos, a denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro contra o ex-procurador-geral de Justiça Claudio Lopes por supostas propinas de R$ 7,2 milhões, na sessão desta segunda-feira, 10. Também estão no banco dos réus o ex-governador Sérgio Cabral, o ex-secretário de Governo Wilson Carlos, e o operador Sérgio de Castro.

Segundo informações divulgadas pela Corte, os 19 desembargadores presentes à sessão, conduzida pelo presidente do Tribunal de Justiça do Rio, desembargador Claudio de Mello Tavares, acompanharam o voto do relator do processo, desembargador Elton Leme.

A denúncia dá conta de que , em valores atualizados, entre 2009 e 2012, Lopes recebeu a cifra milionária no período em que comandou o Ministério Público. O ex-procurador-geral de Justiça chegou a ser preso no dia 8 de novembro de 2018 por ordem do Tribunal de Justiça do Rio.

“O denunciado Cláudio Lopes, recém-ingresso na quadrilha, foi nomeado procurador-geral de Justiça pelo denunciado (Sérgio Cabral) e líder da súcia, Sérgio Cabral, no início de janeiro de 2009 e, a partir de março do mesmo ano, passou a receber a indevida quantia mensal de R$ 150 mil, o que perdurou até o término de seu segundo mandato à frente do Parquet estadual, em dezembro de 2012”, afirmou o Ministério Público.

“A quantia ilícita era cuidadosamente separada por Carlos Miranda em maços de R$ 10 mil, com notas de R$ 100 ou R$ 50, acondicionados em envelopes azuis e pardos. Os envelopes eram entregues ao denunciado Sérgio de Castro, vulgo ‘Serjão’, o qual tinha a incumbência de transportar a propina ao denunciado Wilson Carlos, operador administrativo da quadrilha e responsável pela entrega da propina ao denunciado Cláudio Lopes, que a recebia inicialmente no Palácio Guanabara e, em um segundo momento, para não chamar atenção, no Palácio Laranjeiras.”, narrou o MP.

Reuniões no Palácio Laranjeiras

Em depoimento aos investigadores, o operador Sérgio de Castro Oliveira, o ‘Serjão’, relatou que Wilson Carlos ‘reclamava de ter que acordar cedo só para ir ao Palácio Laranjeiras entregar o dinheiro ao Cláudio Lopes’. Laranjeiras é a residência oficial do chefe do Executivo fluminense. De acordo com ‘Serjão’, os encontros entre Wilson Carlos e Cláudio Lopes ‘duravam, no máximo, 20 minutos’.

Segundo o Ministério Público do Rio, um motorista que trabalhou para Cláudio Lopes ‘durante uma década’ confirmou, também em depoimento, que os encontros no Palácio Laranjeiras duravam ‘não mais do que 15 minutos’. Para o procurador-geral de Justiça, Ricardo Ribeiro Martins, o ‘período é absolutamente compatível com quem apenas se encontra para entregar e receber propina e não para tratar de assuntos institucionais’.

“Ia no mínimo uma vez por mês, tanto no Palácio Guanabara, com no Laranjeiras; que normalmente o Dr. Cláudio Lopes andava com uma maleta de couro; que ele tem o costume de andar com essa maleta; (…) que as visitas no Palácio Laranjeiras eram rápidas e duravam no máximo de 15 minutos; que também era assim no Palácio Guanabara”, informa o depoimento do motorista.

COM A PALAVRA, CLAUDIO LOPES

A reportagem tenta contato. O espaço está aberto (luiz.vassallo@estadao.com)

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