Ex-presidente da Previ é investigado pagamento de R$ 720 mil da OAS

Ex-presidente da Previ é investigado pagamento de R$ 720 mil da OAS

Alvo da Operação Greenfield, Sérgio Rosa é ligado ao PT e apareceu nos documentos da Lava Jato apreendidos na empreiteira em 2014

Ricardo Brandt, Fausto Macedo, Mateus Coutinho e Julia Affonso

06 de setembro de 2016 | 05h00

tabela oas paga rs

Atualizado às 14h13 – O ex-presidente da Previ (fundo previdenciário dos trabalhadores do Banco do Brasil) Sérgio Ricardo da Silva Rosa – ligado ao PT – prestou depoimento nesta terça-feira, 6, como alvo da Operação Greenfield, que apura fraudes e corrupção em investimentos dos quatro maiores fundos de pensão federal do País – Previ, Funcef (Caixa), Petros (Petrobrás) e Postalis (Correios).

A Previ é uma das sócias da OAS, junto com outros dois fundos alvos da Greenfield, Petros e Funcef, na empresa Invepar. Rosa “teria recebido, por meio da empresa RS Consultoria e Planejamento Empresarial, vantagem pecuniária indevida da OAS para que a Previ realizasse investimento no interesses da OAS (no caso Invepar)”, informou o juiz federal Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal, em Brasília.

sergio rosa

A Invepar é o braço da OAS em concessões de infraestrutura de transportes, como rodovias, metrôs e aeroportos. A tem a concessão do Aeroporto de Guarulhos, a concessão da Linha Amarela do Metrô no Rio e de uma BR na Bahia. Seu principal executivo, Gustavo Nunes da Silva Rocha, foi alvo também da Greenfield, assim como o ex-presidente da OAS José Aldemário Pinheiro, o Léo Pinheiro – preso ontem pela segunda vez, nas apurações da Operação Lava Jato, em Curitiba.

“José Aldemário Pinheiro – Ex-presidente da empreiteira OAS, que controlava e tinha relações com a Invepar, beneficiada pelos investimentos feitos pela Funcef, Petros e Previ”, informa o juiz. “Gustavo Rocha – Diretor-presidente da Invepar, empresa beneficiada do aporte de capital da Petros, Previ e Funcef. Foi um dos principais responsáveis, pelo grupo OAS, da captação criminosa de capital dos Fundos de Pensão para a Invepar.”

Rocha foi alvo da 28ª fase da Lava Jato, deflagrada em abril deste ano, que realizou buscas no aeroporto de Cumbica, em Guarulhos – sede da GRU Airport, concessionária controlada pela Invepar.

invepar leo

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O nome de Sérgio Rosa já havia caído no radar da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, nas investigações da Lava Jato. Nas buscas que realizou em novembro de 2014, na sede da OAS, foram encontrados os registros de pagamentos para Sérgio Rosa, via RS Consultoria. Uma tabela de controle dos pagamentos, feitos entre 2012 e 2012, no valor de R$ 60 mil mensais, seriam referentes a um serviço de R$ 720 mil. Os registros indicam o pagamento efetivo de R$ 600 mil – as duas últimas parcelas não teriam sido pagas.

Rosa é ex-diretor do Sindicato dos Bancários de São Paulo, reduto do ex-ministro Ricardo Berzoini e do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto. Foi vereador na capital paulista na década de 1990. Dirigiu a Previ de 2003 (início do governo Lula) até 2010. Se aproximou também do ex-ministro Antonio Palocci.

NOTA OAS RS SERGIO ROSA 2013

Fundos. Desde 2014, a Lava Jato iniciou apurações sobre os tentáculos do esquema de corrupção da Petrobrás nos investimentos dos principais fundos de pensão do governo federal. Um dos alvos das investigações iniciada em Curitiba – e envidados para Brasília – eram sobre os investimentos dos fundos de pensão nos contratos de construção de estaleiro e plataformas para exploração de petróleo para a empresa Sete Brasil.

O ex-executivo da Engevix Gerson Almada afirmou em depoimento que o lobista e operador de propinas Milton Pascowitch foi contratado pra obtenção de investimentos do Funcef para a compra do estaleiro Rio Grande pela Engevix. O estaleiro foi construído pela WTorre e seria adquirido para que o braço naval da empreiteira, Ecovix, pudesse fechar contrato com a Sete Brasil – empresa criada pela Petrobrás, que também tem fundos de pensão como sócios.

Nas investigações sobre os negócios do doleiro Alberto Youssef, peça-chave no escândalo Lava Jato, iniciadas em 2014 também haviam localizados elementos que indicaram acertos em investimentos da Petros e citação ao nome do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e de alguns ex-agentes do fundo alvos da Greendfield.

COM A PALAVRA, SÉRGIO ROSA

A defesa do ex-presidente da Previ Sérgio Rosa não foi localizada ontem para comentar o caso. Anteriormente, ele declarou que recebeu por serviços prestados para a OAS. “Na maioria dos projetos, eram apresentações sobre ideias dos projetos em análise. Que eu saiba, nenhum projeto foi viabilizado, portanto não se tornaram públicos”, afirmou, na ocasião.

COM A PALAVRA, A PREVI

A Previ afirma que possui um “modelo de governança maduro e transparente” e que reforçou seu “compromisso com o aprimoramento do sistema de Previdência Complementar Fechado”. Após a operação realizada pela PF, a Previ frisou que “toda a documentação requerida foi disponibilizada”.

“A Previ possui um modelo de governança maduro e transparente, um corpo técnico qualificado e as decisões de investimento são pautadas por políticas e diretrizes bem definidas, que sempre buscam a remuneração adequada do capital no longo prazo. É importante lembrar que todas as decisões são colegiadas, pautadas em análises técnicas”, diz, em nota.

No mesmo documento, o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil destaca que no âmbito da CPI dos fundos de pensão, concluída recentemente, “o relatório final da investigação confirmou a boa governança”. E completa que “nenhum dirigente ou executivo da Entidade estava entre as pessoas indiciadas pela comissão, assim como qualquer constatação de irregularidades do fundo.”

Por fim, a Previ se colocou à disposição da Justiça e das instituições brasileiras para prestar esclarecimentos. “A Entidade segue confiante na solvência e liquidez de seus planos e firme na sua missão de pagar benefícios aos seus mais de 200 mil associados.”

COM A PALAVRA, O CRIMINALISTA LUIZ FLÁVIO BORGES D’URSO, DEFENSOR DE JOÃO VACCARI NETO

O criminalista Luiz Flávio Borges D’Urso, que defende Vaccari, declarou. “No que diz respeito à busca e apreensão realizada na residência do sr. Vaccari quero dizer que trata-se de uma providência absolutamente desnecessária. Em todos os casos nos quais é citado, o sr. Vaccari já foi objeto de todo tipo de investigação e de quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico. Não há nenhum elemento que traga prova contra ele.”

COM A PALAVRA, O PT:

“O PT repudia a desnecessária e arbitrária ação de busca e apreensão realizada nesta segunda-feira (05/09) na residência da família do companheiro João Vaccari Neto.
Já não bastasse o fato de Vaccari estar preso injustamente em Curitiba há mais de ano, a operação de hoje, motivada exclusivamente por relatos de delatores, representa mais uma entre tantas arbitrariedades de que têm sido vítimas Vaccari e seus familiares.

São Paulo, 5 de setembro de 2016.

Rui Falcão
Presidente Nacional do PT”

 

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