Ex-presidente da Caixa se compromete a devolver R$ 5 milhões

Ex-presidente da Caixa se compromete a devolver R$ 5 milhões

O valor corresponde à soma das propinas que ex-vice da Caixa apadrinhado de Cunha recebeu numa conta na Suíça

Fábio Fabrini e Fábio Serapião, de Brasília

01 de julho de 2016 | 07h31

FABIOCLETOAGBRASIL

O ex-vice da Caixa Fabio Cleto, que delatou Eduardo Cunha. Foto: Agência Brasil

Na série de depoimentos que prestou à Procuradoria-geral da República, o ex-vice-presidente da Caixa Fábio Cleto narrou como conheceu seu padrinho político, o presidente afastado da Câmara dos Deputado, Eduardo Cunha, e comprometeu-se a devolver cerca de R$ 5 milhões a título de multa, conforme fonte com acesso às investigações relatou ao Estado. O valor corresponde à soma das propinas que ele recebeu numa conta na Suíça.?De acordo com o delator, após deixar o Banco Itaú, ele montou seu próprio negócio: um fundo de investimentos.

À frente do empreendimento, conheceu Lúcio Bolonha Funaro. Apontado pela Polícia Federal como operador de Cunha, o agente financeiro convidou Cleto para ocupar uma sala em seu escritório, na capital paulista. Após aceitar a proposta, Cleto montou uma “mesa de operações financeiras” no escritório do novo amigo e, pouco tempo depois, foi apresentado por ele a Cunha.

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Amizade feita, a relação comercial foi estabelecida em 2011, quando Funaro, via Eduardo Cunha, o indicou para o cargo na Caixa. Segundo Cleto, o responsável por assumir o cargo foi Cunha, mas quem mandou seu currículo teria sido Funaro.?Propina?De acordo com Cleto, a relação com a empresas não era feita por ele. Ele contou que nunca pediu propina para ninguém, tarefa que cabia sempre a Eduardo Cunha ou a Funaro.

Sabia pelo Eduardo Cunha o montante (da propina)”, afirmou o delator, que se autointitula “um profissional de mercado”, “um técnico”. ?Segundo ele, o deputado lhe dizia que exigia comissões variáveis de até 1% do valor de cada projeto – 80% desse montante ficava com Eduardo Cunha. Ele, Cleto, recebia quantias menores.

Os depósitos todos, disse, foram realizados pela Carioca Engenharia.? A relação com Funaro ia bem, segundo Cleto, até o operador do mercado financeiro descobrir sua conta na Suíça. Após a descoberta, Cleto diz ter mudado a conta para outra instituição financeira e rompido com Funaro. De acordo com os depoimentos, Cunha bancou o rompimento e pediu para Cleto, a partir de então, tratar diretamente com ele. “Esquece o Funaro”, teria dito Cunha.

COM A PALAVRA, EDUARDO CUNHA

“Desconheço o conteúdo da delação, por isso não posso comentar detalhes. Reitero que o cidadão delator foi indicado para cargo na Caixa, pela bancada do PMDB/RJ, com meu apoio, sem que isso signifique concordar com qualquer prática irregular. Desminto, como aliás já desmenti, qualquer recebimento de vantagem indevida. Se ele cometeu irregularidades, que responda por elas. Desafio qualquer um a provar a veracidade dessas delações como também qualquer vinculação, de qualquer natureza, com as contas mencionadas por esses delatores.”

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