Ex-presidente da Caixa relata ‘ameaças’ de Eduardo Cunha

Ex-presidente da Caixa relata ‘ameaças’ de Eduardo Cunha

Jorge Hereda, que dirigiu a instituição entre 2011 e 2015, depôs por videoconferência e contou que ex-deputado queria que ele ajudasse na liberação de financiamentos a empresas

Fábio Fabrini e Fabio Serapião, de Brasília

27 de julho de 2017 | 05h00

Eduardo Cunha. Foto: André Dusek/Estadão

O ex-presidente da Caixa Econômica Federal Jorge Hereda disse nesta quarta-feira, 26, em depoimento à Justiça Federal, ter sido pressionado pelo ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para acelerar investimentos do banco em determinadas empresas.

Hereda afirmou que, em reunião com Cunha na Câmara, em 2014, o então deputado avisou que o convocaria a depor na CPI da Petrobrás se projetos de seu interesse não recebessem financiamento com celeridade, antes daqueles referentes à estatal.

“O senhor Eduardo cunha reclamava do andamento dos projetos. Mas que a gente andava muito rápido com a Petrobrás. E disse que, se a gente aprovasse os da Petrobrás antes dos outros, ele iria me convocar para a CPI. Eu disse que não era presidente da Petrobrás, era presidente da Caixa”, declarou.

Hereda depôs como testemunha em ação penal que apura suposto esquema de cobrança de propina de empresas, em troca da liberação de aportes do banco. Cunha e o também ex-presidente da Câmara Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), ambos atualmente presos, estão entre os réus.

Hereda não especificou em nome de quais empresas Cunha teria falado. Contou que o convite para a reunião partiu de Alves, que também estava presente à reunião.
A convocação, segundo Hereda, não ocorreu, mas foram feitos requerimentos. “Não fui, mas, se o senhor procurar lá, pode ser que o senhor encontre os pedidos de convocação.”

O depoimento do ex-presidente da Caixa foi feito por videoconferência à 10 Vara Federal em Brasília, na qual tramita a ação.

O advogado de Cunha, Délio Lins e Silva, disse que as declarações de Hereda são mentirosas e motivadas por retaliação, uma vez que ele é filiado ao PT, partido adversário do peemedebista. A defesa de Alves explicou que, conforme o próprio depoimento de Hereda, o convite para a reunião foi “institucional”.

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