Ex-presidente da Andrade indicou a filhos voto em tucanos, DEM e ‘amigo’ Pimentel em 2014

Ex-presidente da Andrade indicou a filhos voto em tucanos, DEM e ‘amigo’ Pimentel em 2014

Mensagens revelam orientação de Otávio Azevedo, que fez delação premiada após ser pego na Lava Jato, a seus familiares mineiros durante as eleições

Mateus Coutinho, Ricardo Brandt e Julia Affonso

15 de julho de 2016 | 06h00

Otávio Marques de Azevedo foi preso em 19 de junho de 2015. Foto: Reprodução

Otávio Marques de Azevedo foi preso em 19 de junho de 2015. Foto: Reprodução

Um dos empreiteiros mais próximos do presidente do PSDB Aécio Neves, o ex-presidente da Andrade Gutierrez e que virou delator na Lava Jato Otávio Azevedo indicou aos seus filhos nomes de candidatos tucanos para votarem em 2014 para presidente, deputado federal e senador e um nome do DEM para deputado estadual em Minas. Na lista, contudo, havia um 13, o “amigo” Fernando Pimentel para o governo do Estado.

As informações constam das mensagens de Whatsapp no celular do empreiteiro que foi apreendido pela Lava Jato e revelam o modus operandi dos familiares mineiros de Azevedo votarem, seguindo referências ao pai – um dos maiores empreiteiros do País com bom trânsito no mundo político – mesmo quando envolvia nomes do PT, partido pelo qual a família não demonstrava simpatia.

A dois dias do primeiro turno, em 2014, Azevedo e sua mulher viajaram para Miami e não iriam voltar a tempo para a votação, mas mantiveram as conversas com seus filhos no Whatsapp. No dia do primeiro turno, cinco de outubro, Otávio encaminha aos dois filhos que votam em Minas Gerais a seguinte mensagem:

“Eu se fosse votar, votaria:

PR: Aécio
Gov: Fernando Pimentel
Senador: Anastasia
Dep Federal: Geovane Baggio (vôlei) (nome escrito errado do ex-atleta e candidato do PSDB a deputado Giovane Gavio)

Dep Estadual: Gustavo Correa (DEM)”

O nome do petista Pimentel na lista surpreende a filha do empreiteiro, que pede para a mãe confirmar com ele se a mensagem não se referia ao candidato do PSDB ao governo de Minas Pimenta da Veiga. “É Fernando PIMENTEL!!! ele acabou de confirmar 13!!!”, responde a mãe.

A filha estranha mais uma vez: “Do PT? Ok então”, ao que a mãe responde: “Sim! Amigo do seu pai!”. Pimentel acabou sendo eleito governador de Minas já em primeiro turno e, assim como seu colega empreiteiro, entrou na mira da Polícia Federal.

Diferente de Otávio, porém, o petista não foi alvo da Lava Jato, mas da Operação Acrônimo, na qual ele é acusado de corrupção por ter favorecido empresas no período em que foi ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, entre 2011 e 2014. Pimentel já foi denunciado ao STJ, que ainda não decidiu se aceita ou não a denúncia. Otávio Azevedo, por sua vez, responde a uma ação penal diante do juiz Sérgio Moro acusado de participar do esquema de corrupção na Petrobrás. Como fez acordo de delação ele cumpre prisão domiciliar com tornozeleira em sua residência na capital paulista.

O TRECHO DO DIÁLOGO EM QUE A FILHA DE OTÁVIO QUESTIONA A LISTA DE CANDIDATOS DO PAI (OS NOMES DOS INTERLOCUTORES FORAM PRESERVADOS):

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O apoio ao “amigo” petista destoa da postura de Otávio Azevedo, que em mensagens com familiares e amigos deixa claro seu apoio a Aécio Neves na eleição e as críticas a Dilma e ao PT. No dia em que viajou para Miami, na véspera do primeiro turno, o empreiteiro pede aos filhos que “elejam” o tucano. Um dia antes do segundo turno, a mulher de Otávio avisa a filha que vai para uma concentração em apoio a Aécio na Praça da Liberdade, no centro-sul de Belo Horizonte, realizada no dia seguinte.

Em outra ocasião, ao conversar com seu médico em 19 de outubro de 2014, Otávio discute sobre o apoio ao tucano e afirma que é necessário “voto em massa para dar LEGITIMIDADE AS DURAS MEDIDAS DO AJUSTE (econômico)”. O empreiteiro ainda confirma que foi a um evento em apoio a candidatura de Aécio no Parque do Povo, na região oeste da capital paulista e que até pegou camisetas. Confira trecho do diálogo abaixo.

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