Ex-presidente da Andrade Gutierrez negou irregularidades no caso Gamecorp

Ex-presidente da Andrade Gutierrez negou irregularidades no caso Gamecorp

Otávio Azevedo disse aos procuradores que OI investiu na Gamecorp por decisão empresarial

Ricardo Brandt, Andreza Matais, Julia Affonso

07 de abril de 2016 | 18h53

Otávio Azevedo, presidente da Andrade Gutierrez. Foto: Marcos de Paula/Estadão

Otávio Azevedo, presidente da Andrade Gutierrez. Foto: Marcos de Paula/Estadão

O empresário Otávio Azevedo, ex-presidente da Andrade Gutierrez, disse em depoimento de delação premiada que a OI, antiga Telemar, fez aportes numa empresa de Fábio Luiz Lula da Silva, filho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por uma decisão de estratégia de negócios. Conforme investigadores, ele negou irregularidades no investimento inicial de R$ 5,2 milhões na Gamecorp, em 2005. A entrada como acionista na empresa teria sido feito para evitar que um banco fizesse o aporte.

A Gamecorp tem como controladores Lulinha e o empresário Jonas Suassuna, dono de um sítio em Atibaia reformado por empreiteiras investigadas na Lava Jato para agradar Lula. O negócio foi polêmico porque três anos após a OI comprar 30% da Gamecorp, Lula alterou a Lei Geral de Telecomunicações, permitindo que a operadora de telefonia comprasse a concorrente Brasil Telecom, o que beneficiou a operadora.

A Andrade Gutierrez foi uma das controladoras da Oi, antiga Telemar, desde a privatização do sistema Telebrás, em 1998, até setembro de 2015 – permanecendo como acionista da operadora. Azevedo era o responsável pelo setor de telecomunicações do grupo.

Os procuradores da República incluíram a negativa de Azevedo no acordo, por considerar que pode haver pagamento irregular feito pelo braço da Andrade Gutierrez à Gamecorp. Se novos fatos levarem a descobertas de propina nesse caso, o empreiteiro corre o risco de perder os benefícios de redução de pena da delação.

Oi. A Polícia Federal chegou a pedir em outubro de 2015 a prisão temporária e as quebras dos sigilos telefônico, bancário e fiscal de José Zunga Alves de Lima, ex-sindicalista ligado ao PT e atual funcionário da empresa de telefonia OI. A empresa instalou uma antena de celular ao lado do Sítio Santa Bárbara, em Atibaia, que para os investigadores seria do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em 2011, mesmo ano em que o sítio em Atibaia foi reformado de maneira suspeita por empreiteiras do cartel que atuava na Petrobrás, a OI instalou a menos de 150 metros da propriedade uma antena tratada por moradores como a “a torre do Lula”.

O nome de Zunga caiu no radar da Lava Jato no final de 2015, após análise do material apreendido com os ex-presidentes da Andrade Gutierrez, Otávio Marques Azevedo.

“Otávio Marques conversa com a pessoa de “Zunga”, identificado como sendo José Zunga Alves de Lima, sindicalista e funcionário da OI, o qual parece ser um contato com trânsito no alto escalão do Governo Federal”, informa representação da PF em que foi pedida a prisão do amigo de Lula. O juiz federal Sérgio Moro, dos processos da Lava Jato em primeira instância, negou na ocasião a prisão.

No relatório de 8 de outubro de 2015, o juiz Sérgio Moro foi informado pela PF que Zunga “teria sido indicado para compor o conselho da Anatel como ‘representante da sociedade civil’ pelo então Presidente Luiz Inácio Lula da Silva no ano de 2008, em que pese o impedimento decorrente da sua atuação junto a empresa do ramo de telecomunicações, tanto por participar da OI Telecom como pela assessoria prestada a Gamecorp, empresa do filho do ex-presidente”. “Apurada a irregularidade, Zunga fora afastado da função em novembro de 2010.”

Zunga vem da Brasil Telecom (BrT), fundida em 2008 com a OI. Zunga fez carreira no sindicalismo no setor de telefonia, foi dirigente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) do Distrito Federal.

 

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