Ex-ministro do TSE ligado a Bolsonaro diz desconhecer provas de fraude nas eleições de 2018

Ex-ministro do TSE ligado a Bolsonaro diz desconhecer provas de fraude nas eleições de 2018

Durante o último pleito, Admar Gonzaga era um dos sete ministros titulares do TSE. “Não conheço essas provas, não conversei com o presidente. Mas o presidente não falaria algo dessa ordem levianamente sem ter efetivamente provas do que está dizendo. É importante que essas provas sejam apresentadas, se ele assim desejar”, disse Admar ao 'Estado'

Rafael Moraes Moura/BRASÍLIA

10 de março de 2020 | 19h01

Admar Gonzaga. Foto: Daniel Teixeira/Estadão

BRASÍLIA – Ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e secretário-geral do Aliança pelo Brasil, o advogado Admar Gonzaga disse ao Estado/Broadcast desconhecer as provas de “fraude” mencionadas pelo presidente Jair Bolsonaro envolvendo as eleições presidenciais de 2018. Durante o último pleito, que se tornou alvo de suspeitas lançadas por Bolsonaro, Admar era um dos sete ministros titulares do TSE.

O advogado é amigo do presidente da República e já advogou para Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), garantindo na Justiça o direito do filho do presidente de concorrer ao cargo de vereador no início de carreira, aos 17 anos – em 2000, Carlos tornou-se o mais jovem vereador da história do Brasil.

“Não conheço essas provas, não conversei com o presidente. Mas o presidente não falaria algo dessa ordem levianamente sem ter efetivamente provas do que está dizendo. É importante que essas provas sejam apresentadas, se ele assim desejar. É de interesse da Justiça Eleitoral”, disse Admar à reportagem.

“O presidente diz que tem provas, ele não me mostrou quais são essas provas, mas ele desde muito tempo demonstra a sua desconfiança no sistema, entende que o sistema é falho, pretende que exista um outro tipo de checagem. Cada um tem a sua opinião, a opinião dele tem de ser respeitada. Ele não está atacando a Justiça”, afirmou Admar.

Bolsonaro disse na última segunda-feira, 9, durante evento nos Estados Unidos, que houve “fraude” nas eleições presidenciais de 2018 e afirmou ter provas de que venceu o pleito no primeiro turno. A fala reacendeu a estratégia de colocar em xeque a credibilidade da Justiça Eleitoral, um discurso utilizado pelo próprio Bolsonaro na campanha daquele ano. O presidente não apresentou provas para embasar suas declarações.

O discurso de Bolsonaro provocou uma forte reação de integrantes do TSE e do Supremo Tribunal Federal (STF). Em uma rara declaração à imprensa, a presidente do TSE, ministra Rosa Weber, disse que a Justiça Eleitoral “não compactua com fraudes”. Os ministros Luís Roberto Barroso e Marco Aurélio Mello também saíram em defesa da urna eletrônica.

Conivente. Na avaliação de Admar Gonzaga, o presidente da República não quis ofender a magistratura com os comentários. “Mas a gente sabe que as fraudes acontecem muitas vezes do lado de fora, né? Ninguém imagina, nem o próprio presidente da República vai imaginar a ministra Rosa Weber, o ministro Barroso (Luís Roberto Barroso, vice-presidente do TSE), o ministro Fachin (Edson Fachin) querendo fraudar uma eleição. Nenhum de nós. Isso não existe, tá?”, afirmou Admar.

O advogado comparou o funcionamento da Justiça Eleitoral ao de bancos, que estão sujeitos a falhas internas. “Todos nós já tivemos fraudes no cartão de crédito, mesmo em conta bancária. Não estamos acusando o banco de estar conivente com isso, de forma nenhuma”, frisou.

O ex-ministro afirmou à reportagem que confia na Justiça Eleitoral e em todos os ministros que integram ou já integraram o TSE. “Nunca tive uma vírgula fora do lugar para ter algum tipo de desconfiança. Agora, também confio no presidente da República”, observou.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: