Ex-mandatários da Procuradoria depõem como testemunhas de Lula

Ex-mandatários da Procuradoria depõem como testemunhas de Lula

Cláudio Fonteles e Antônio Fernando de Souza, que chefiaram o Ministério Público da União entre 2003 e 2009, foram arrolados pela defesa do ex-presidente na ação penal do caso triplex

Mateus Coutinho, Ricardo Brandt e Julia Affonso

02 Março 2017 | 17h17

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O ex-procurador-geral da República, Claudio Fonteles. Foto: Reprodução

Dois ex-procuradores-gerais da República, Claudio Fonteles (2003/2005) e Antônio Fernando de Souza (2005/2009) foram ouvidos nesta quinta-feira, 2, como testemunhas de defesa do ex-presidente Lula na ação penal do caso triplex – imóvel atribuído ao petista pela força-tarefa da Operação Lava Jato; os advogados de Lula negam que ele seja o proprietário.

Fonteles foi o primeiro procurador-geral da República da era Lula. Ele ficou no cargo entre 2003 e 2005. Antônio Fernando ocupou a cadeira por dois mandatos, entre 2005 e 2009. Ambos foram indicados por Lula, que inaugurou um modelo de escolha defendido pela entidade de classe, a Associação Nacional dos Procuradores da República – o nome do procurador-geral foi tirado de lista tríplice eleita pela Associação.

Cristiano Zanin. Foto: Divulgação

Cristiano Zanin. Foto: Divulgação

COM A PALAVRA, O ADVOGADO DE LULA, CRISTIANO ZANIN MARTINS

Procuradores Gerais da República em etapas consecutivas, Cláudio Fonteles (2003/2005) e Antônio Fernando de Souza (2005/2009) reconheceram que o ex- Presidente Luiz Inácio Lula da Silva rompeu a prática dos governos anteriores de colocar no cargo pessoa da predileção e confiança do presidente. Ambos foram os primeiros colocados de uma lista tríplice votada pelos próprios membros da corporação, inaugurando uma etapa de fortalecimento do Ministério Público, que pôde investigar tudo e todos sem qualquer interferência do governo federal e muito menos do presidente, nos 8 anos de mandato.

Os ex-procuradores foram ouvidos hoje (2/3) na 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba, na ação penal que trata do chamado triplex do Guarujá. Eles também registraram ter havido, no período, grande apoio para o aprimoramento dos órgãos do governo federal ligados ao combate da corrupção, que puderam, assim, auxiliar o Ministério Público nessa missão.

Antônio Fernando, responsável pelo oferecimento da denúncia que resultou na ação penal 470 – caso conhecido como “mensalão” -, enfatizou que Lula jamais teve qualquer envolvimento nos fatos e por isso não foi denunciado. Ele confirmou afirmação feita em 2012 ao portal G1, quando disse que “denunciar Lula seria um ato político”, porque não havia qualquer prova contra o ex-Presidente. No depoimento de hoje, afirmou que a denúncia não é um ato voluntário do acusador, mas decorrente dos elementos probatórios de que dispõe. Em corrente contrária, no presente, alguns membros do MPF acusam Lula sem qualquer materialidade, desprezando o rigor então mostrado pelo ex-Procurador Geral. Por isso mesmo, praticam o lawfare.

Ambos disseram jamais ter tido conhecimento de qualquer fato que pudesse envolver Lula na pratica de ilícitos. Já são 67 testemunhas ouvidas e nenhuma prova contra o ex-Presidente.

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