Ex-gerente foi aprovado por toda diretoria colegiada, diz Graça

Ex-gerente foi aprovado por toda diretoria colegiada, diz Graça

Ex-presidente da Petrobrás diz a Moro que conheceu 'há uns 5, 6 anos' Roberto Gonçalves, atualmente réu e prisioneiro da Lava Jato

Julia Affonso, Ricardo Brandt e Luiz Vassallo

04 Julho 2017 | 17h14

Graça Foster e Sérgio Moro. Foto: Reprodução

A ex-presidente da Petrobrás Graça Foster prestou depoimento, por meio de videoconferência, nesta terça-feira, 4, como testemunha de defesa do ex-gerente executivo da estatal Roberto Gonçalves. Segundo Graça, o nome de Roberto Gonçalves foi aprovado por toda a diretoria colegiada para o cargo de gerente executivo.

Graça declarou na audiência ao juiz federal Sérgio Moro que conheceu Gonçalves quando ela própria era diretora de Gás e Energia da Petrobrás. “Há uns 5, 6 anos”, afirmou. “Ele era gerente executivo, trabalhava com o ex-diretor (Jorge) Zelada (Área Internacional).”

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A defesa quis saber se Graça havia feito algum convite profissional a Gonçalves.

“Não. Quando ele foi do diretor Zelada, o Zelada propôs o nome deles à diretoria colegiada e a diretoria colegiada, da qual eu fazia parte, aprovou o nome dele. Quando ele foi trabalhar com o ex-diretor (Renato) Duque, da mesma forma, o ex-diretor Duque fez uma proposta do nome dele para a diretoria colegiada e ele foi levado à posição de gerente executivo da Engenharia. Mais tarde, o diretor (José Carlos) Cosenza, que, na minha gestão como presidente, que era diretor do Abastecimento, levou o nome dele para a diretoria colegiada para que ele exercesse um cargo numa empresa da qual a Petrobrás detém participação para atuar com diretor-presidente da empresa. Novamente esse nome do Gonçalves foi aprovado por toda diretoria colegiada. São os três momentos em que eu tenho conhecimento do currículo do Gonçalves”, narrou.

Roberto Gonçalves está preso no Complexo Médico-Penal, em Pinhais, região metropolitana de Curitiba. O ex-gerente foi capturado na Operação Paralelo, 39.ª fase da Lava Jato, em março.

Ele sucedeu Pedro Barusco, um dos delatores da Lava Jato, como gerente executivo da Área de Engenharia e Serviços da Petrobrás no período entre março de 2011 e maio de 2012.

Ricardo Pessoa, dirigente da UTC Engenharia, e Mario Goes, operador financeiro e intermediário entre os executivos e agentes públicos, admitiram o pagamento de propinas a Roberto Gonçalves.

Os colaboradores comprovaram documentalmente quatro depósitos de US$ 300 mil feitos no exterior, a partir de conta em nome da offshore Mayana Trading, mantida por Mario Goes.

Neste processo, Gonçalves, o advogado e operador financeiro Rodrigo Tacla Duran e quatro executivos das empreiteiras Odebrecht e UTC Engenharia, foram denunciados pelo Ministério Público Federal pelos crimes de corrupção para garantir a celebração de dois contratos firmados pelos consórcios Pipe Rack e TUC, integrados pelas empresas, com a Petrobrás para a construção do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj).

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