Ex-gerente da Petrobrás depõe sobre propinas da SBM

Pedro Barusco, em delação a procuradores federais, falou sobre supostas comissões pagas a funcionários da estatal pela empresa holandesa

Redação

27 de novembro de 2014 | 09h33

Por Fausto Macedo e Ricardo Brandt, enviado a Curitiba

O ex-gerente executivo da Diretoria de Serviços da Petrobrás Pedro Barusco depôs nesta quarta feira, 26, no Ministério Público Federal sobre um dos capítulos mais intrigantes do escândalo de corrupção na Petrobrás – o suposto pagamento de propinas a funcionários da estatal brasileira pela SBM Offshore, empresa holandesa que aluga navios-plataforma para petroleiras.

O relato de Barusco foi feito no âmbito de delação premiada na qual ele já concordou em devolver US$ 100 milhões, parte do valor que teria recebido a título de “comissões” sobre contratos enquanto atuava ao lado do ex-diretor de Serviços da Petrobrás Renato Duque.

No loteamento partidário que alcançou as unidades da estatal entre 2004 e 2012, Barusco e Duque foram indicados pelo PT para os cargos mais estratégicos. Por eles passavam todas as licitações da Petrobrás, inclusive para obras e serviços das outras diretorias. Duque foi preso no dia 14 de novembro pela Operação Juízo Final, sétima fase da Lava Jato.

A delação de Barusco foi fatiada em duas. Em uma delas, o ex-gerente revelou aos procuradores como operava o esquema na estatal a partir da Diretoria de Serviços. Na outra parte da delação, ele se dispôs a revelar a procuradores da República o que sabe sobre as relações da Petrobrás com a SBM Offshore.

Metódico, Barusco registrava em um arquivo pessoal datas e valores de propinas, além da relação de beneficiários e cargos que ocupavam na Petrobrás. O cadastro particular do delator inquieta ex-dirigentes e fornecedores da Petrobrás. Os investigadores dizem que o documento é “uma joia” das provas sobre o esquema.

Ele começou a depor na semana passada. Sobre a SBM resolveu fazer relato à parte, específico sobre as relações de ex-dirigentes da Petrobrás com funcionários da empresa holandesa.

Os investigadores estão impressionados com o grau de “organização e disciplina” do delator. Eles avaliam que o impacto de suas revelações é muito mais pesado que o relato de outros suspeitos que firmaram acordo de delação na Lava Jato.

A SBM Offshore fechou acordo de US$ 240 milhões com o Ministério Público da Holanda sobre supostos pagamentos de propinas que teria realizado na Guiné Equatorial, Angola e Brasil no período de 2007 a 2011.

Após denúncias de ex-funcionários, em abril, a SBM reconheceu ter pago US$ 200 milhões em “comissões” em vários países. Na ocasião, a Petrobrás informou que não encontrou indícios de recebimento de propinas entre seus dirigentes.

O representante comercial da SBM no Brasil era Julio Faerman. Os investigadores suspeitam que ele seria o repassador de propinas para ex-funcionários da Petrobrás. Faerman teria recebido, no período de 2005 a 2011, US$ 127 milhões em comissões da empresa holandesa e repassado parte a funcionários da Petrobrás em troca de contratos de aluguel de plataformas flutuantes.

“O Julio (Faerman) não pagou propinas a ninguém”, reagiu o criminalista Antonio Sérgio de Moraes Pitombo. “Ele é um representante comercial.”

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