Ex-gerente de Internacional da Petrobrás admite propina em Pasadena

É a primeira vez que um ex-gerente da área que atuou diretamente na polêmica compra da refinaria fala em propinas envolvendo o negócio

Redação

23 de setembro de 2015 | 12h26

Por Mateus Coutinho e Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba

Refinaria de Pasadena, no Texas. Foto: Richard Carson/Divulgação

Refinaria de Pasadena, no Texas. Foto: Richard Carson/Divulgação

O ex-gerente-geral da área Internacional da Petrobrás e novo delator da Lava Jato, Eduardo Vaz Costa Musa, afirmou à Força-Tarefa da Lava Jato que a compra da refinaria de Pasadena, no Texas, foi uma das operações da estatal onde ocorreu o pagamento de propinas no esquema de corrupção da Petrobrás.

“O tema de pagamento de propina foi apresentado ao declarante por Luis Carlos Moreira; que mostrou uma planilha de divisão de propinas da área Internacional da Petrobrás e que nesta planilha estava Pasadena, Petrobrás 10.000 e Vitória 10.000 (dois navios-sonda contratados pela estatal).”, relatou o delator sem dar mais detalhes sobre como foi a propina na polêmica refinaria.

É a primeira vez que um executivo que atuou na Diretoria Internacional, área que atuou diretamente na compra da refinaria em 2006, admite propina no polêmico negócio que causou, segundo o Tribunal de Contas da União, prejuízo de US$ 792 milhões. Até então, somente o ex-diretor de Abastecimento e também delator Paulo Roberto Costa, havia mencionado a propina envolvendo o negócio. Costa afirmou, sem dar mais detalhes, que a propina neste negócio poderia ter chegado a US$ 30 milhões, e disse que recebeu US$ 1,5 milhão para “não atrapalhar” a compra.

+ Cronologia: Relembre a polêmica compra da refinaria de Pasadena

O negócio foi aprovado pelo Conselho de Administração da estatal brasileira, à época presidido pela então ministra-chefe da Casa Civil, a hoje presidente da República Dilma Rousseff. Dilma diz que só aprovou a compra porque o conselho recebeu um resumo técnico “falho” e “incompleto” sobre a aquisição.

Navios-sonda. Das três obras que o delator citou em seu depoimento, apenas o caso de Pasadena não virou alvo de ação na Justiça no âmbito da Lava Jato.

A propina envolvendo os dois navios-sonda citados por Eduardo Musa já foi alvo de denúncia da Lava Jato que levou à condenação de 12 anos e três meses de prisão para o ex-diretor de Internacional da Petrobrás Nestor Cerveró e a 16 anos de prisão para um dos lobistas que teria operado propina para o PMDB, Fernando Antônio Falcão Soares, conhecido como Fernando Baiano. Na sentença, o juiz Sérgio Moro, responsável pela Lava Jato na Justiça Federal no Paraná,  afirmou que ficaram comprovados o pagamento de US$ 54 milhões em propina para Cerveró e Baiano.

Nesta mesma ação, o delator Júlio Camargo afirmou ter sido pressionado pelo presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) a lhe pagar US$ 5 milhões em propina referentes aos navios-sonda. O caso deu origem a uma denúncia da Procuradoria-Geral da República contra o parlamentar por corrupção e lavagem de dinheiro perante o Supremo Tribunal Federal.

COM A PALAVRA, A PETROBRÁS:

A companhia mantém seu compromisso de colaborar com todas as apurações, não só neste caso como em todos os outros em curso perante os órgãos de controle e o Poder Judiciário. A Petrobras informa ainda que está tomando todas as medidas necessárias junto às autoridades brasileiras para ser ressarcida pelos prejuízos sofridos em função dos atos ilícitos denunciados no âmbito da Operação Lava-Jato.

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