Ex-diretores da Odebrecht pedem perdão à Colômbia por propinas na Rota do Sol e vão pagar US$ 6,5 mi

Ex-diretores da Odebrecht pedem perdão à Colômbia por propinas na Rota do Sol e vão pagar US$ 6,5 mi

Em contato viabilizado pela Secretaria de Cooperação Internacional da Procuradoria-Geral da República, três executivos da empreiteira firmaram compromisso para colaborar com informações sobre corrupção no país vizinho, inclusive sobre valores repassados a ex-vice-ministro de Transportes colombiano

Igor Moraes

16 de janeiro de 2019 | 13h47

Ex-vice-ministro dos Transportes da Colômbia teria recebido propinas de US$ 6,5 milhões por concessão de obras na Rota do Sol para a Odebrecht. Foto: Odebrecht/ Divulgação

Os ex-diretores da Odebrecht Luiz Antonio Bueno Junior, Luiz Antonio Mameri e Luiz Eduardo da Rocha Soares pediram ‘perdão’ à Colômbia e se comprometeram a colaborar com informações sobre crimes de corrupção cometidos pela empreiteira no país vizinho. Os executivos também concordaram em pagar indenização de US$ 6,5 milhões como reparação por propinas repassadas ao ex-vice-ministro de Transportes colombiano, Gabriel Garcia Morales, para concessão das obras do trecho 2 da rodovia Rota do Sol.

As informações foram divulgadas pela Procuradoria-Geral da República. Por meio de sua Secretaria de Cooperação Internacional, a PGR viabilizou o contato dos ex-diretores com a Justiça colombiana em videoconferência na sexta-feira, 11.

Os executivos se comprometeram a colaborar com informações sobre subornos pagos pela Odebrecht na Colômbia. Além das ações penais, o acordo prevê que os colaboradores testemunhem em processos fiscais e disciplinares que envolvam a empreiteira.

A indenização de US$ 6,5 milhões – equivalente a 18 bilhões de pesos colombianos – será quitada pelos executivos brasileiros em três parcelas. O primeiro pagamento deve acontecer ainda em janeiro, o segundo em agosto deste ano e o terceiro até janeiro de 2020.

O valor acertado é o mesmo da suposta propina recebida por para conceder as obras da Rota do Sol à empreiteira brasileira.

A PGR classificou o termo de cooperação firmado pelos ex-diretores como um ‘marco para a Justiça colombiana’ e afirmou que esta é a primeira vez que o ‘princípio da oportunidade’, previsto na legislação do país vizinho, é colocado em prática em um caso de grande expressão.

Segundo a Procuradoria, a medida é parecida com os acordos de delação premiada celebrados no Brasil.

Ainda de acordo com a PGR, todos os processos criminais contra os ex-diretores que tramitam nas Cortes da Colômbia ficarão suspensos pelo prazo de dois anos, período no qual estarão à disposição da Justiça colombiana.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.