Ex-diretor do Metrô acertou propinas na lanchonete do Palácio dos Bandeirantes, diz Lava Jato

Ex-diretor do Metrô acertou propinas na lanchonete do Palácio dos Bandeirantes, diz Lava Jato

Sérgio Corrêa Brasil, que fechou delação e delatou políticos de São Paulo, confessou receber R$ 4 milhões de empreiteiras em obras do Metrô

Luiz Vassallo

13 de agosto de 2019 | 09h44

Foto: Daniel Teixeira/Estadão

A força-tarefa da Operação Lava Jato afirma, em denúncia, que o ex-diretor do Metrô, Sérgio Corrêa Brasil, acertou propinas com empreiteiros na lanchonete do Palácio dos Bandeirantes. O local é usado pelos servidores da sede do governo paulista. Ele firmou acordo de delação premiada, que foi homologado no âmbito de ação penal, pela juíza federal substituta Flavia Serizawa e Silva, da 3ª Vara Criminal Federal de São Paulo. Em apenas neste processo, confessou ter recebido R$ 4 milhões entre 2004 e 2014, durante as gestões Geraldo Alckmin (PSDB), Claudio Lembo (PFL), Jose Serra (PSDB) e Alberto Goldman (PSDB) – eles não são citados na ação.

 

Segundo a acusação, em 2011, Sergio Brasil ‘exercia a função de Assessor Técnico do Conselho Gestor de PPPs do Estado de São Paulo e, a partir de abril/2013, passou a exercer o cargo de Secretário-Executivo desse conselho, participando da Comissão Especial de Licitação para julgamento da concorrência’ de obras da Linha 6 – Laranja.

A força-tarefa diz que ‘após ser julgada deserta a primeira licitação, a CNO (por meio da empresa de seu grupo Odebrecht Transport) se associou à QG para fazer um projeto conjunto visando ao novo edital’. “Para tanto, teriam sido realizadas várias reuniões no segundo semestre de 2013, com a participação de Celso Rodrigues, Mario Bianchini e Sergio Brasil. Essas reuniões ocorreriam na Secretaria de Planejamento do Governo do Estado de São Paulo, localizada na Alameda Santos, em São Paulo, na sala de reuniões da Secretaria ou no gabinete de Sergio Brasil. As sugestões feitas pelas empresas teriam sido aceitas, em sua maioria, constando no edital expressamente os itens acordados”.

De acordo com a Lava Jato, ‘em conversa realizada numa lanchonete localizada na frente do Palácio dos Bandeirantes, Sergio Brasil teria solicitado a Celso Rodrigues (Odebrecht) e a Mario Bianchini  (Queiroz Galvão) o pagamento de 0,1% do valor do investimento para realização das obras civis (CAPEX), equivalente a R$ 8.000.000,00 do total da obra, cabendo à CNO pagar 37% desse valor (proporcional à sua participação no consórcio)’. Celso Rodrigues teria levado a proposta a Luiz Bueno (Odebrecht), que teria feito a contraproposta de pagamento de R$ 1.500.000,00 em uma única parcela, denominada “taxa de sucesso”, e o valor proporcional à participação seria pago por cada construtora. O primeiro pagamento teria sido realizado antes da assinatura do contrato, no valor de R$ 500.000,00″.

Além de admitido pelo próprio ex-diretor, o encontro também é narrado pelos delatores da Odebrecht. A propina de R$ 4 milhões, acusada nesta ação, é também composta por contratos para as linhas 2 – Verde, e 5 – Lilás, do Metrô. Sérgio Brasil entregou extratos bancários da suposta vantagem ilícita. Ele diz ter depositado dinheiro vivo entregue pelas empreiteiras nas contas dele e de familiares. Além dele, estão no banco dos réus, nesta ação, outros 13 executivos das empreiteiras Odebrecht, Queiroz Galvão, OAS, Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa.

 

 

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