Ex-diretor da Saúde vai ao Supremo contra prisão na CPI da Covid

Ex-diretor da Saúde vai ao Supremo contra prisão na CPI da Covid

Weslley Galzo/BRASÍLIA e Pepita Ortega/SÃO PAULO

07 de julho de 2021 | 19h52

O ex-diretor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde Roberto Ferreira Dias. Foto: Waldemir Barreto/Agencia Senado

A defesa do ex-diretor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde Roberto Ferreira Dias vai entrar com habeas corpus no Supremo Tribunal Federal para tentar derrubar a prisão do ex-servidor pela Polícia do Senado na tarde desta quarta-feira, 7, após ordem do presidente da CPI da Covid, Omar Aziz (PSD-AM). O senador sustentou que Dias cometeu ‘perjúrio’ em seu depoimento ao colegiado, ao negar que havia combinado um encontro com o policial militar Luiz Paulo Dominguetti, que o acusou de pedir propina para vender vacinas ao governo.

Dias também pode ser liberado da prisão após pagar fiança. A possibilidade está sendo discutida pela cúpula da CPI da Covid e o ex-servidor pode ser liberado antes mesmo de ser conduzido à Polícia Federal.

O laudo de prisão em flagrante de Dias registra que ‘foram verificadas diversas contradições
nas informações prestadas pela testemunha compromissada’, destacando que apesar de ‘diversas oportunidades para retratação’, o ex-diretor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde ‘optou conscientemente por não se retratar a respeito de qualquer termo de seu depoimento’.

Durante sua oitiva na CPI, Dias disse que conheceu Dominguetti após ele aparecer em um restaurante de um shopping de Brasília em que jantava com um amigo. Na versão do ex-diretor, o encontro não havia sido agendado e o PM se juntou à mesa porque estava acompanhado de Marcelo Blanco, ex-assessor do Ministério da Saúde. O policial, então, se apresentou como representante da empresa Davati Medical Supply e disse que gostaria de fechar negócio com o governo para vender 400 milhões de doses da vacina AstraZeneca.

A quebra de sigilo do celular de Dominguetti, porém, sugere que o encontro não foi por acaso, como afirmou Dias, mas estava previamente combinado. Em mensagens em áudio, divulgados pela CNN Brasil, o policial já tratava do encontro dois dias antes. A um interlocutor identificado como Rafael, o PM mencionou, no dia 23 de fevereiro, o encontro, que aconteceu no dia 25. “Rafael, tudo bem? A compra vai acontecer, tá? Estamos na fase burocrática. Em off, pra você saber, quem vai assinar é o Dias mesmo, tá? Caiu no colo do Dias… E a gente já se falou, né? E quinta-feira a gente tem uma reunião para finalizar com o Ministério”. Roberto Dias alega que encontrou Dominguetti por acaso, sem ter agendado.

 

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.