Ex-diretor da PF na era Lula diz que ‘gente do PP e do PT’ queria indicar nomes na Corporação

Ex-diretor da PF na era Lula diz que ‘gente do PP e do PT’ queria indicar nomes na Corporação

Delegado Paulo Lacerda, que comandou a Polícia Federal no primeiro governo do petista, negou ter tomado conhecimento de corrupção na Petrobrás enquanto no cargo e disse que 'um ou outro parlamentar' queria escolher superintendentes regionais, mas ninguém era atendido por decisão conjunta com ministro da Justiça e o presidente

Luiz Vassallo

15 Março 2017 | 16h14

paulolacerda

Paulo Lacerda depõe como testemunha de Lula. Foto: Reprodução

O ex-diretor geral da Polícia Federal, delegado Paulo Fernando da Costa Lacerda, afirmou nesta quarta-feira, 15, ao juiz Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato na primeira instância, que era procurado por parlamentares que faziam indicações de servidores da PF a cargos importantes na Corporação, ‘normalmente’ para superintendências regionais. Lacerda depôs como testemunha de defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, réu por supostamente ter recebido propinas de R$ 3,7 milhões da empreiteira OAS.

O delegado comandou a PF no primeiro governo Lula. Ele também dirigiu a Agência Brasileira de Informações (Abin).

A Moro, o delegado negou que a PF tenha sido alvo de intervenções do Planalto enquanto esteve no cargo, entre 2003 e 2007. No entanto, revelou ter sido procurado por agentes políticos. “Um ou outro parlamentar às vezes pedia audiência na Polícia Federal e queria indicar o servidor para este ou aquele cargo. Normalmente, um superintendente regional. Vinha conversar comigo e eu dizia que isso não seria possível porque eu já havia acertado com o ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) e com o presidente Lula, que não haveira interferência”, relatou.

O ex-diretor geral da PF disse que ‘normalmente’ era procurado para esse tipo de diálogo por ‘gente do PP e do próprio PT’.

Sobre o período à frente da Polícia Federal, Lacerda negou ter tido conhecimento de esquemas de corrupção na estatal petrolífera.

O delegado, que também foi diretor-geral da Abin, entre 2007 e 2008, disse se lembrar de apenas uma ocorrência envolvendo a petrolífera que chegou a ser apurada pela Agência. “Surgiu um caso na Petrobrás que era o desaparecimento de um microcomputador com informações estratégicas da Petrobrás em Macaé que dizia respeito a assunto sigiloso e empresarial. Houve até abertura de inquérito. Foi o único caso que eu me recordo”, explicou.

Lacerda ainda afirmou não saber de eventuais vantagens indevidas oriundas de esquemas envolvendo a Petrobrás ao ex-presidente Lula. “Se eu tomasse conhecimento, alguma providência haveria de ser adotada”.