Ex-diretor da Petrobrás confessa ter recebido R$ 1,5 milhão

Segundo Paulo Roberto Costa, pagamento de propina ocorreu durante compra da refinaria de Pasadena; revelação é parte de acordo de delação

Redação

18 de setembro de 2014 | 23h40

Mateus Coutinho e Fausto Macedo

O ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa, alvo da Operação Lava Jato, confessou que recebeu R$ 1,5 milhão em propinas na compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. Suas revelações fazem parte do acordo de delação premiada que ele decidiu fazer em troca de uma possível redução de pena.

A informação foi divulgada nesta quinta-feira no Jornal Nacional, da TV Globo. Costa teria relatado a existência de um esquema de corrupção na polêmica operação de compra de Pasadena – transação iniciada em 2006 com a aquisição de 50% da refinaria de uma empresa belga, mas que levou a Petrobrás ao desembolso de mais US$ 1,2 bilhão pela compra total.

O ex-diretor começou a depor dia 29 de agosto. A longa série de audiências terminou na semana passada, mas o acordo de delação ainda depende de homologação do ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal. O caso foi remetido para o Supremo porque Costa citou pelo menos 32 deputados e senadores e um governador supostamente beneficiários do esquema de propinas.

Acesso. A Petrobrás e o presidente da CPI mista que investiga a estatal no Congresso, Vital do Rêgo (PMDB-PB), voltaram a solicitar nesta quinta-feira acesso aos depoimentos do ex-diretor de Abastecimento da companhia.

No pedido, a estatal afirma que quer apenas acesso aos trechos relativos aos funcionários ou ex-funcionários da empresa e às empresas “com quem mantém (ou manteve) relações comerciais”. O objetivo, segundo a Petrobrás, é apurar eventuais irregularidades.

“O seu objetivo, com a obtenção dessas informações, é promover procedimentos internos para apurar responsabilidades de empregados do passado e do presente, bem como verificar a lisura das empresas por ela contratadas e procedimentos de contratação”, afirma o documento encaminhado à Justiça Federal do Paraná.

Já o senador Vital do Rêgo cita o despacho do ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, confirmando que já repassou à comissão as cópias da documentação da Operação Lava Jato, que está sob sua relatoria no Supremo.

No último dia 10, o STF encaminhou à comissão cópias dos documentos da Lava Jato que estão tramitando na Corte. Apenas a parte relativa à delação premiada não foi encaminhada.

O pedido do presidente da CPI mista inclui ainda a solicitação para ter acesso aos depoimentos da ex-contadora do doleiro Alberto Youssef, Meire Poza, e cópias dos documentos entregues por ela à Justiça.

Propinas. Na quinta-feira, o juiz Sérgio Fernando Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato, citou em uma decisão os pagamentos de propinas ao ex-diretor da estatal e a políticos feito pelo doleiro Alberto Youssef.

“Relativamente a Alberto Youssef, as medidas investigatórias revelaram seu suposto envolvimento, na condição de líder, de grupo criminoso dedicado à lavagem de dinheiro e a pagamento de vantagens indevidas a ex-diretor da Petrobrás, sem contar pagamentos a dois parlamentares federais”, escreveu o magistrado em um despacho respondendo a solicitações das defesas dos réus.

A decisão do juiz ocorreu em um dos dez processos que tramitam na Justiça Federal do Paraná como consequência da Operação Lava Jato.

Na delação premiada do ex-diretor Paulo Roberto Costa também há menção a um esquema de pagamento de propinas para políticos utilizando dinheiro de contratos da Petrobrás com empreiteiras que estão sob investigação.

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