Ex-diretor da CPTM recebeu propina na Suíça

Ex-diretor da CPTM recebeu propina na Suíça

João Roberto Zaniboni, que foi diretor de operações da estatal, autorizou três contratos de reformas de trens

Fausto Macedo

15 de outubro de 2013 | 23h18

O ex-diretor de operações e manutenção da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), engenheiro João Roberto Zaniboni, recebeu US$ 836 mil na conta Milmar 180638, de sua titularidade, no Credit Suísse, em Genebra, Suíça. Os depósitos ocorreram de 22 de setembro de 1999 e 20 de dezembro de 2002, entre o final do governo Mário Covas e o início da gestão Geraldo Alckmin, ambos do PSDB.

Na ocasião, Zaniboni teria autorizado 3 contratos de reforma de trens da companhia, no valor global atualizado de cerca de R$ 450 milhões.

Parte dos ativos, US$ 200 mil, foi repassada para a conta de Zaniboni pelos lobistas Arthur Gomes Teixeira e seu irmão Sérgio, apontados como pagadores de propinas da Alstom, multinacional francesa que está sob investigação por suposto esquema de cartel e corrupção no setor metroferroviário, do qual também participou a alemã Siemens.

Os extratos bancários que comprometem o ex-executivo da CPTM foram enviados ao Brasil pelo Ministério Público da Suíça. Em fevereiro de 2011, procuradores de Genebra já haviam pedido cooperação do Ministério Público Federal em São Paulo. Promotores suíços são categóricos ao analisar a remessa de US$ 200 mil. Para eles o dinheiro é de propina.

Os promotores suíços descobriram que a Alstom remeteu o dinheiro para duas offshores sediadas no Uruguai, controladas pelos irmãos Arthur e Sérgio Teixeira. Eles repassaram os valores para a conta Milmar. A Suíça sequestrou “valores patrimoniais” dos lobistas. “Até agora ambos os indiciados não foram interrogados a respeito desses bloqueios, nem os impugnaram apesar do fato de terem sido comunicados.”

Zaniboni transferiu parte do dinheiro, em 23 de julho de 2007, para a conta 6034632, de sua filha, Milena, no Safra National Bank de Nova York. Para a operação ele usou os serviços de famoso doleiro brasileiro, Marco Antonio Cursini – este fez a remessa de US$ 290.031,43 para o Safra/NY por meio de uma conta de sua empresa, Gelateria, alojada no Bank Holmann AG, em Zurique.

Zaniboni ocupou cargo de confiança na CPTM entre 1998 e 2003. O rastreamento dos promotores indica que a maior parte do dinheiro na conta do engenheiro foi transferida por diversas empresas. Eles destacam “numerosos pagamentos entrados, pela maioria em procedência de uma Coldrate Corporation cm uma conta no Deutsche Bank, em Hamburgo, assim como de uma companhia Lespan AS domiciliada em Montevidéu, no Uruguai”.

Os promotores assinalam que o dinheiro de Zaniboni “se trata de propinas pagas dentre outras coisas para a atribuição de contratos da CPTM a Mafersa S/A, respectivamente à Alstom Transporte.

O criminalista Luís Fernando Pacheco, que defende Zaniboni, disse que em 1998 ele prestou serviços de consultoria aos irmãos Arthur e Sérgio Teixeira. “Zaniboni é especialista em transporte ferroviário”, observa Pacheco. “Nessa época, ele não ocupava cargo na CPTM. Apenas em 1999 assumiu o cargo, onde ficou até 2003. Ele recebeu US$ 250 mil pelos serviços prestados aos srs. Arthur e Sérgio. O valor foi pago em uma conta mantida na Suíça.”

Segundo o advogado, a conta “foi abastecida também ao longo dos anos pelo próprio Zaniboni com recursos decorrentes de outras consultorias para outras pessoas”.

A conta em Genebra foi encerrada em 2007 e os recursos, “por uma questão sucessória”, transferidos para Nova York. Em 2013, a própria filha do engenheiro, “ao tomar conhecimento de que a conta (nos EUA) estava em situação irregular, providenciou o seu encerramento, promovendo o ingresso legal dos valores no Brasil, declarando-os à Receita Federal e promovendo a ratificação de suas declarações ao Imposto de Renda”.

Veja abaixo o documento traduzido do Ministério Público da Suiça:

 

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