Ex-deputada diz que ‘nunca conheceu’ funcionária de seu gabinete por quatro anos

Aline Corrêa, filha do ex-deputado Pedro Corrêa - preso no Mensalão e na Lava Jato - declarou à Justiça Federal que nomeou Reinasci Cambuí de Souza, empregada doméstica, a pedido do pai

Redação

28 de agosto de 2015 | 10h00

Aline Corrêa. Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

Aline Corrêa. Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

Por Julia Affonso, Fausto Macedo e Ricardo Brandt

A ex-deputada Aline Corrêa (PP/SP), filha de Pedro Corrêa – ex-deputado e líder do PP, preso duas vezes, no Mensalão e na Lava Jato – declarou à Justiça Federal que empregou em seu gabinete na Câmara por mais de quatro anos uma funcionária que ‘nunca conheceu’. Segundo ela, seu pai, preso em Curitiba sob suspeita de ter recebido R$ 40,7 milhões em propinas do esquema de corrupção instalado na Petrobrás entre 2004 e 2014, lhe pediu ‘um cargo’. Foi logo no seu primeiro mandato (2007/2011).

Reinasci Cambuí de Souza, a indicada de Pedro Corrêa, era, na verdade, empregada doméstica do ex-deputado, cassado em 2006 no processo do Mensalão.

VEJA O DEPOIMENTO DE ALINE CORRÊA

A força-tarefa da Lava Jato sustenta que o salário de Reinasci na Câmara era ‘revertido’ em favor do próprio ex-parlamentar e da filha dele. Ao todo, Pedro e Aline teriam repartido R$ 622 mil supostamente pagos à doméstica.

“Nunca recebi salário da Câmara”, disse Reinasci à Justiça, em depoimento no dia 30 de junho.

Aline Corrêa declarou. “Ele (Pedro Corrêa) pediu um cargo no meu gabinete e depois veio o nome dela, o Ivan Vernon (ex-chefe de gabinete do então deputado) me trouxe o nome dela”, disse Aline ao juiz federal Sérgio Moro. Ela é ré em ação penal por corrupção, lavagem de dinheiro, peculato e organização criminosa, mesmas acusações atrtibuídas ao pai.
Reinasci Cambuí de Souza ficou ‘lotada’ no gabinete da filha de Pedro Corrêa ‘do finalzinho de 2007 até 2011’.

Na audiência na Justiça Federal, realizada nesta quarta-feira, 26, o juiz Sérgio Moro perguntou a Aline se ela conhecia Reinasci. “Nunca vi Excelência”, admitiu a ex-deputada.

“Ela não trabalhou, não foi lotada em seu gabinete?”, questionou o juiz da Lava Jato.

Aline Corrês respondeu. “Ela foi lotada no meu gabinete, aí eu reconheço uma negligência da minha parte, até por falta de experiência no meu primeiro mandato. Foi um pedido de meu pai. A gente tem um espaço lá de ter até 25 pessoas (no gabinete de deputado). Eu tive no começo muita dificuldade de montar minha equipe, pessoas que tivessem identidade com meu estilo de trabalho. Eu não queria nenhuma pessoa que fosse do meu pai a princípio. Eu queria montar a minha equipe. Tentei isso meu mandato inteiro para ter meu formato de trabalho.”

“A Reinasci foi um pedido, meu pai me fez, para que eu tivesse uma pessoa trabalhando para mim no partido”, prosseguiu a ex-deputada. Segundo ela, seu pai lhe disse. “Aline, olha Reinasci é uma pessoa que trabalhou comigo, você pode pôr no seu gabinete que ela vai lhe dar uma assessoria através do Ivan Vernon. Ele vai ficar conduzindo seu espaço que precisar dentro do partido.”

“Essa foi a informação que eu tive Excelência”, disse Aline ao juiz Moro.

“A sra nunca viu essa pessoa?”, perguntou novamente o juiz. “Não”, admitiu Aline.

“Seu pai não havia pedido?”

“Ele pediu um cargo no meu gabinete e depois veio o nome dela e o Ivan Vernon me trouxe o nome dela.”

“Ela ficou quatro anos aproximadamente e a sra nunca…?”, prosseguiu o juiz, demonstrando perplexidade.

“Excelência, na verdade eu nunca tive, é onde eu reconheço minha, talvez, falta de experiência. Eu estava dando um cargo para aquela pessoa me ajudar no partido. Eu não precisva ter convivência com ela. Agora, depois dos fatos eu soube quem era essa pessoa.”

“Ajudar como em quatro anos? A sra não levantou nenhuma pessoa sobre essa pessoa?”

“Não, Excelência, não levantei. Na verdade, a coordenação do trabalho dela para mim era o Ivan Vernon. Eu não tinha uma relação direta com Ivan. Ele nunca teve nenhum vínculo comigo.”

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