Ex-CEO da WTorre relata a Moro ‘ameaça’ para deixar licitação

Ex-CEO da WTorre relata a Moro ‘ameaça’ para deixar licitação

Paulo Remy Gillet Neto alega ter sido 'aconselhado' por executivo do banco Schahin a abandonar licitação das obras do Centro de Pesquisas da Petrobrás;investigações apontam propina de R$ 18 milhões pagas pelo consórcio vencedor à construtora para desistir da concorrência.

Luiz Vassallo

04 de abril de 2017 | 05h23

FOTO DOC WTORRE
O ex-CEO da WTorre, Paulo Remy Gillet Neto, afirmou, na última sexta-feira, 31 de março, em depoimento ao juiz Sérgio Moro, ter ouvido ‘frase ameaçadora’ do engenheiro Edison Coutinho, do Banco Schahin, para que a empresa desistisse da licitação para as obras do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello, da Petrobrás (Cenpes), no Rio. Em delação premiada, Coutinho relatou ter acertado propinas de R$18 milhões para que a WTorre abandonasse a concorrência, em benefício de Consórcio Novo Cenpes formado por OAS, Schahin, Carioca, Construcap e Contrubase.

Documento

O contrato foi firmado em 2008, com previsão de gastos de R$ 850 milhões, mas acabou ficando em R$ 1 bilhão. O Ministério Público Federal sustenta que R$ 20 milhões – 2% do valor do contrato – foram destinados a propinas ao ex-diretor de Serviços da Petrobrás, Renato Duque, ao ex-gerente da estatal petrolífera Pedro Barusco, e ao ex-tesoureiro do PT Paulo Ferreira – que admitiu dinheiro não contabilizado em campanhas do partido em depoimento a Moro.

Após a deflagração da Operação Abismo, 31.ª fase da Lava Jato, a força-tarefa do Ministério Público Federal passou a sustentar que, além de agentes públicos e partidários, também a WTorre teria recebido R$ 18 milhões para abandonar a licitação do Cenpes.

No depoimento a Moro, o ex-CEO da WTorre relatou ter se reunido com o representante do Banco Schahin, Edison Coutinho. O encontro, segundo o executivo, foi a pedido de Carlos Eduardo Veiga, apontado pelas investigações como o pagador de propinas da WTorre.

“O Carlos disse que não o conhecia, não tinha tanto contato com o senhor Edson, que ele gostaria de conversar com alguém da W. Torre a respeito de obras, a obra daquelas duas concorrências que nós estávamos participando”, relatou.

Questionado por advogados de defesa de Coutinho sobre detalhes da reunião, Paulo Remy Gillet Neto disse ter ouvido do delator e então representante do banco Schahin que a WTorre não tinha ‘competência’ para realizar a obra do Centro de Pesquisas e que a empresa perderia dinheiro. “Fiquei um pouco nervoso ao ponto de que quando ele falou uma frase, que essa sim me marcou, de que nós estávamos metendo a mão num vespeiro, tá certo, que nós não devíamos nos meter nisso, eu dei como encerrada a reunião”, alegou.

“Quando eu cito que eu lembrei é porque eu acho que essa frase foi um pouco ameaçadora, como me recordo de outras passagens da minha vida que as pessoas fizeram frases ameaçadoras para mim”, afirmou o empresário.

De acordo com a força-tarefa, a WTorre inicialmente apresentou uma proposta de preço no valor de R$ 858 milhões, cerca de R$ 40 milhões inferior ao da proposta do Consórcio Novo Cenpes.

Após a construtora vencer a licitação, Paulo Remy disse lembrar que os executivos foram chamados à Petrobrás para discutir descontos. “Nossos diretores participaram da reunião, negociaram com a Petrobrás, olharam a parte técnica, a parte de prazo, e concederam, depois de muita discussão, R$2,3 milhões aproximadamente de desconto.”

“Depois de um período nós somos informados que um outro consórcio, segundo colocado, foi lá, venceu e deu mais 7 ou 8 milhões de reais de desconto, o que para nós foi uma surpresa desagradável”, afirma.

COM A PALAVRA, A OAS

Procurada, a OAS ainda não se pronunciou. O espaço está aberto para manifestação.

COM A PALAVRA, A CONSTRUCAP

“A Construcap informa que não irá se pronunciar”.

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