Ex-assessor de Dilma recebeu R$ 350 mil para repassar informações à ex-presidente, dizem delatores

Delatores da Odebrecht revelaram que Anderson Dorneles, que trabalhava na ante sala da ex-presidente, recebeu dinheiro, segundo delatores, para levar dados de interesse da empreiteira para a chefe

Breno Pires, de Brasília, e Ricardo Brandt

11 de abril de 2017 | 20h47

A ex-presidente Dilma Rousseff. Foto: Evaristo Sá/AFP

A ex-presidente Dilma Rousseff. Foto: Evaristo Sá/AFP

O presidente afastado da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, e outros quatro delatores do grupo relataram que um assessor da ex-presidente Dilma Rousseff recebeu R$ 350 mil do Setor de Operações Estruturadas, área que cuidava dos pagamentos não contabilizados do grupo, para repassar informações de interesse da empresa. A informação foi encaminhada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin, relator dos processos da Lava Jato, para a Procuradoria da República, no Distrito Federal.

“Trata-se de petição instaurada com lastro nos termos de depoimentos dos colaboradores Cláudio Melo Filho, João Carlos Mariz Nogueira, José Carvalho Filho, Marcelo Bahia Odebrecht e Hilberto Mascarenhas Alves da Silva Filho”, informa a petição 6681/DF, que integra a primeira Lista de Fachin, tornada pública nesta terça-feira, 11.

“Segundo o Ministério Público, relatam os colaboradores a ocorrência de pagamento de RS 350 mil, via Setor de Operações Estruturadas, a Anderson Braga Dorneles, então assessor da presidente da República Dilma Vana Roussef”, informa o ministro, com base em documento enviado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

“Objetivava-se, com tal ação, o repassasse à então Presidente da República informações de interesse do Grupo Odebrecht, incluindo notas técnicas emitidas pela a respeito de representantes de países pelos quais a presidente empreendia viagens.”

A PGR entendeu não existir alvos com foro privilegiado no caso e solicitou ao Supremo o envio do caso para a primeira instância.

COM A PALAVRA, ANDERSON DORNELES

‘A respeito das informações divulgadas pela imprensa relativas à delação da empresa Odebrecht as quais fui citado, declaro que desconheço o teor total das declarações, mas já posso afirmar que nunca solicitei ou recebi qualquer ajuda financeira de quem quer que seja. Tampouco autorizei terceiro que o fizesse em meu nome’.

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