Ex-assessor de deputado do PMDB presta depoimento ‘espontâneo’ na Carne Fraca

Ex-assessor de deputado do PMDB presta depoimento ‘espontâneo’ na Carne Fraca

Ronaldo Troncha foi flagrado em grampos da Polícia Federal conversando com o fiscal agropecuário Daniel Gonçalves Filho, suposto líder do esquema investigado na operação

Ricardo Brandt e Julia Affonso

23 Março 2017 | 17h31

Foto: Dida Sampaio/Estadão

Foto: Dida Sampaio/Estadão

O ex-assessor Ronaldo Troncha, que trabalhou com o deputado Sérgio Souza (PMDB-PR), prestou depoimento espontaneamente nesta quinta-feira, 23, à Polícia Federal. Investigado na Operação Carne Fraca, que cercou os maiores frigoríficos do País, Ronaldo Troncha fez revelações sobre o núcleo político do esquema alvo da operação.

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Às 16h04 desta quinta, o juiz federal Marcos Josegrei da Silva, da 14ª Vara Federal, autorizou a apreensão do aparelho de telefone de Ronaldo Troncha. O ex-assessor do deputado aparece nos grampos da Carne Fraca.

“Autorizo a apreensão, por parte da autoridade policial, de eventuais aparelhos de telefone celular em poder de Ronaldo de Sousa Troncha em virtude de seu comparecimento espontâneo à sede da Polícia Federal, para todos os fins do que consta no mandado de busca e apreensão nº 700.003.100.062, expedido em 16 de março de 2017 com validade de 15 dias (evento 212). Intime-se”, determinou o magistrado.

O depoimento ainda não foi tornado público.

Ronaldo Troncha trabalhou com o deputado Sérgio Souza entre abril de 2015 e outubro de 2016. O deputado foi eleito por unanimidade nesta quinta-feira, 23, presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara. Na sexta-feira ele foi conduzido coercitivamente na Carne Fraca.

Grampo da Operação flagrou o ex-superintendente regional do Paraná Gil Bueno de Magalhães relatando que Sérgio Souza teria recebido recursos do fiscal agropecuário Daniel Gonçalves Filho, que, segundo a investigação, é ‘o líder e principal articulador do bando criminoso’. Na conversa, o representante de uma cooperativa agrícola chega a afirmar ainda que o parlamentar teria “rabo preso”.

A Carne Fraca mira corrupção na Superintendência Federal de Agricultura no Estado do Paraná (SFA/PR) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. No rol de empresas investigadas pela Polícia Federal estão a JBS, dona da Seara e da Big Frango, a BRF, controladora da Sadia e da Perdigão, e os frigoríficos Larissa, Peccin e Souza Ramos.

Na lista de irregularidades identificadas pela PF estão o pagamento de propinas a fiscais federais agropecuários e agentes de inspeção em razão da comercialização de certificados sanitários e aproveitamento de carne estragada para produção de gêneros alimentícios. Os pagamentos indevidos teriam o objetivo de atender aos interesses de empresas fiscalizadas para evitar a efetiva e adequada fiscalização das atividades, segundo a investigação.

Segundo a Carne Fraca, Ronaldo Troncha atuaria em conjunto a Daniel Gonçalves Filho, que atuou como Superintendente Regional do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, no Paraná, entre 25 de julho de 2007 a 19 de fevereiro de 2014, e de 19 de junho de 2015 a 11 de abril de 2016, quando foi exonerado.

Ronaldo teria recebido duas transferências de R$ 10 mil entre 2009 e 2011. O fiscal agropecuário nega que tenha cometido qualquer irregularidade.

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