Ex-assessor afirma que viu ‘várias vezes circulação de dinheiro em espécie’ no gabinete de ‘Carteiro Reaça’

Ex-assessor afirma que viu ‘várias vezes circulação de dinheiro em espécie’ no gabinete de ‘Carteiro Reaça’

Relato de Alexandre de Andrade Junqueira consta da representação entregue à Procuradoria-Geral de Justiça deSão Paulo e atribui a prática da 'rachadinha' ao deputado estadual Gil Diniz, amigo e ex-assessor de Eduardo Bolsonaro na Câmara

Pedro Prata

17 de outubro de 2019 | 14h04

O ex-assessor Alexandre de Andrade Junqueira do deputado estadual Gil Diniz (PSLSP), o ‘Carteiro Reaça’, afirmou que testemunhou ‘por várias vezes a circulação de dinheiro em espécie’ no gabinete do político, líder do PSL na Assembleia Legislativa de São Paulo.

. Foto: Procuradoria-Geral de Justiça de SP/Reprodução

“Presenciei por várias vezes a circulação de dinheiro em espécie e o pagamento de diversas contas particulares com esse dinheiro oriundo da ‘rachadinha’”, relatou Junqueira.

‘Carteiro Reaça’ foi assessor de Eduardo Bolsonaro (PSL) entre 2016 e 2018, quando se elegeu deputado. Atualmente, é vice do diretório do partido em São Paulo, presidido por Eduardo. O partido avalia lançar seu nome para a Prefeitura de São Paulo, nas eleições de 2020.

Gil Diniz, líder do PSL na Alesp. Foto: José Antonio Teixeira/Agência Alesp

A acusação de Alexandre Junqueira foi feita na representação à Procuradoria-Geral de Justiça nesta segunda, 14, na qual ele denuncia que Diniz realizava a prática da ‘rachadinha’ – na prática, a devolução de parte do salário dos funcionários de um gabinete para o deputado.

Nesta quarta, 16, o procurador-geral de Justiça de São Paulo Gianpaolo Poggio Smanio determinou a abertura de procedimento para apurar a denúncia do ex-assessor. Ele também enviou cópia da representação para o setor do Ministério Público que investiga atos de improbidade.

Além da ‘rachadinha’, Junqueira acusa a presença de uma funcionária fantasma no gabinete de Gil Diniz, que, segundo o ex-assessor, ‘não trabalhava e apenas assinava o ponto e devolvia o dinheiro
para o Deputado’.

“Essa funcionária, amiga do deputado há mais ou menos 12 anos, recebe em troca apenas o cartão alimentação e aproximadamente R$ 1,5 mil em troca de dar seu nome para desconto do salário.”

COM A PALAVRA, O DEPUTADO GIL DINIZ

“A falsa acusação foi feita por um ex-assessor que foi exonerado por não se adequar à rotina do gabinete. É importante notar que este ataque surge quando coloquei meu nome à disposição para a disputa pela Prefeitura de São Paulo, no momento em que alcancei projeção no papel de crítico ferrenho do governador João Doria e como um aliado próximo do presidente Jair Bolsonaro em São Paulo. A falsa acusação vem de alguém que se mostrou inapto para o trabalho parlamentar e de representação e que, convenientemente, viajou para Indonésia, em outro continente, dias antes de decidir distribuir suas mentiras. Vale ressaltar que, com intuito de combater a prática nefasta da “rachadinha”, apresentei o Projeto de lei 705 de 2019, no dia 25 de maio, que torna obrigatória a publicidade da gratificação especial de desempenho (GED) na internet. Meu gabinete é um dos mais enxutos da Alesp e estou entre os 10 deputados estaduais que menos gastam recursos públicos. Deixarei à disposição todos os meus extratos bancários.”

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