Ex-aliado de Funaro negocia delação e vai dizer que Geddel ia ao escritório de operador de Cunha

Ex-aliado de Funaro negocia delação e vai dizer que Geddel ia ao escritório de operador de Cunha

Empresário Alexandre Margotto, que trabalhou com Lúcio Funaro e foi denunciado por corrupção e desvio de recursos da Caixa, informou investigadores da Lava Jato ter detalhes sobre tratativas de políticos e autoridades

Fábio Fabrini e Fabio Serapião, de Brasília

16 de julho de 2016 | 05h00

Funaro. Foto: Hélvio Romero/Estadão

Funaro. Foto: Hélvio Romero/Estadão

Um dos denunciados por suposta participação em esquema de corrupção e desvio de recursos na Caixa, o empresário Alexandre Margotto negocia um acordo de delação premiada com a Operação Lava Jato. Ele informou a investigadores da Procuradoria-Geral da República (PGR) ter detalhes sobre tratativas de políticos e autoridades que frequentavam o escritório que mantinha com o corretor Lúcio Funaro, entre eles o atual ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), ex-vice-presidente de Pessoa Jurídica do banco público.

Preso no início do mês, na Operação Sépsis, Funaro é apontado como operador do deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) no esquema. Geddel foi vice da Caixa de março de 2011 a dezembro de 2013. Antes disso, foi ministro da Integração Nacional no governo Luiz Inácio Lula da Silva, de 2007 a 2010. Questionado pelo Estado, ele confirmou as visitas, mas não deu detalhes dos assuntos que tratou com o corretor, a quem chama de “um conhecido”:

Margotto é acusado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de receber parte das propinas supostamente pagas por empresas a Cunha e Funaro, em troca da liberação, pela Caixa, de investimentos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Alvo de mandado de busca e apreensão na Sépsis, ele era sócio do ex-vice-presidente de Fundos e Loterias do banco Fábio Cleto, cujo acordo de colaboração baseou a denúncia oferecida pela PGR ao Supremo Tribunal Federal. Conforme investigadores ouvidos pelo Estado, as tratativas para a delação estão em fase inicial.

Margotto era dono da Etros Administradora de Recursos e Valores Imobiliários, gestora do fundo de investimentos Aquitaine, montado em parceria com Cleto para captar recursos no mercado. Foi ele quem apresentou o ex-vice-presidente da Caixa a Funaro, em 2010. Na ocasião, conforme a PGR, o operador de Cunha propôs entrar na sociedade, oferecendo em troca participação em seis pequenas centrais hidrelétricas. Além disso, convidou Margotto para levar a Etros para dentro de seu escritório, no Itaim Bibi, em São Paulo. A sugestão foi aceita e os dois trabalharam juntos de meados de 2010 a março de 2011.

Conforme a PGR, Margotto ficava com 4% das propinas pagas no esquema de corrupção na Caixa. A denúncia oferecida ao Supremo, que ainda tramita em sigilo, atribui a ele 15 atos de corrupção passiva e 318 de lavagem de dinheiro. Numa eventual colaboração, ele pretende implicar Funaro em outros esquemas. O Estado não localizou o empresário ou algum de seus representantes.

A defesa de Funaro sustenta que provará a inocência de seu cliente e alega que Margotto tentou extorqui-lo. Num áudio anexado a um dos inquéritos da Lava Jato, cuja íntegra foi divulgada quarta-feira pelo estadao.com, o ex-parceiro do corretor pede dinheiro para não fazer denúncias contra ele, incluindo suposto pagamento de suborno no Judiciário.

“Ele (Funaro) precisa me pagar 100 pau agora, já, para depois a gente sentar e negociar”, disse Margotto. “O Lúcio comprou um juiz que eu arrumei, ele sabe”, acrescenta, na gravação.

Investigadores da Lava Jato trabalham com a hipótese de que Funaro escalou um aliado seu, conhecido como “Bob”, para se aproximar de Margotto e gravar a conversa. O objetivo seria “desacreditar” o ex-parceiro, que estava cobrando uma dívida de R$ 11,5 milhões, relativa a um investimento do FGTS liberado quando Cleto era vice-presidente da Caixa.

Tudo o que sabemos sobre:

Lucio Funarooperação Lava JatoPMDB

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.