EXCLUSIVO: Eunício ‘Índio’ foi destinatário de R$ 2 milhões da Odebrecht

EXCLUSIVO: Eunício ‘Índio’ foi destinatário de R$ 2 milhões da Odebrecht

Inquérito autorizado pelo Supremo Tribunal Federal aponta que valor faz parte de um montante total de R$ 7 milhões para os senadores do PMDB Romero Jucá e Renan Calheiros e para os deputados Rodrigo Maia (DEM) e Lúcio Vieira Lima (PMDB)

Breno Pires, de Brasília, e Julia Affonso

11 Abril 2017 | 16h45

Eunicio Oliveira (PMDB-CE). Foto: Ed Ferreira/Estadão

Eunicio Oliveira (PMDB-CE). Foto: Ed Ferreira/Estadão

O presidente do Senado, Eunício de Oliveira (PMDB-CE), foi destinatário de R$ 2 milhões da Odebrecht, segundo a delação premiada de executivos do Grupo na Operação Lava Jato. A Odebrecht teria atuado no Congresso Nacional para converter medidas provisórias em lei.

O ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, autorizou em 4 de abril investigação em um mesmo inquérito contra Eunício Oliveira, os senadores Romero Jucá (PMDB-RR) e Renan Calheiros (PMDB-AL), os deputados Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA). Os parlamentares foram citados pelos delatores da Odebrecht Alexandrino de Salles Ramos de Alencar, Carlos José Fadigas de Souza, Cláudio Melo Filho, Emílio Alves Odebrecht, José de Carvalho Filho e Marcelo Bahia Odebrecht.

“São relatados pagamentos de R$ 7 milhões, sendo R$ 4 milhões destinados aos senadores da República Romero Jucá e Renan Calheiros, atuando o primeiro em nome do segundo, R$ 2 milhões destinados ao senador da República Eunício Oliveira, R$ 1 milhão ao deputado federal Lúcio Vieira Lima e R$ 100 mil ao deputado federal Rodrigo Maia”, narra o ministro na decisão que mandou abrir o inquérito.

Segundo o Ministério Público Federal, os delatores afirmaram que o Grupo Odebrecht pagou propina para aprovar legislação favorável aos interesses da companhia: Medidas Provisórias 470/09 (sobre crédito prêmio de IPI), 472/10 (sobre o Regime Especial para Indústria Petroquímica) e 613/13 (temas do interesse da Companhia, notadamente do REIQ e posterior conversão em lei).

“Todos esses repasses teriam sido implementados por meio do Setor de Operações Estruturadas do grupo Odebrecht, sendo os beneficiários identificados no sistema “Drousys” como “Caju” (Senador da República Romero Jucá), “Índio” (Senador da República Eunício Oliveira), “Bitelo” (Deputado Federal Lúcio Vieira Lima) e “Botafogo” (Deputado Federal Rodrigo Maia)”, relata Fachin.

O ministro do Supremo determinou o levantamento do sigilo dos autos.

COM A PALAVRA, EUNÍCIO OLIVEIRA

O Estado Democrático de Direito prevê, no curso dos inquéritos, o amplo direito de defesa. Vamos exercê-lo. A verdade prevalecerá. A Justiça brasileira tem maturidade e firmeza para apurar e distinguir a verdade das mentiras e das versões alternativas.
Assessoria de Imprensa
Senador Eunício Oliveira

COM A PALAVRA, RODRIGO MAIA

O presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse nesta terça-feira, 11, que confia na Justiça e tem convicção de o inquérito aberto contra ele pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, será arquivado.

“Eu vou repetir o que eu sempre tenho dito: eu confio na Justiça, confio no Ministério Público e confio na Polícia Federal. Os fatos serão esclarecidos e os inquéritos serão arquivados. Há citações de delatores, que o processo vai comprovar que são falsas e os inquéritos serão arquivados”, disse.

COM A PALAVRA, RENAN CALHEIROS

Em nota, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) disse que vai esperar o teor das “supostas investigações” para se defender. “Um homem público sabe que pode ser investigado. Mas isso não pode significar. Mas isso não pode significar uma condenação prévia ou um atestado de que alguma irregularidade foi cometida”, disse, no comunicado. “Acredito que esses inquéritos serão arquivados por falta de provas como aconteceu com o primeiro deles.”

COM A PALAVRA, ROMERO JUCÁ

“Sempre estive e sempre estarei à disposição da Justiça para prestar qualquer informação. Nas minhas campanhas eleitorais sempre atuei dentro da legislação e tive todas as minhas contas aprovadas.

COM A PALAVRA, LÚCIO VIEIRA LIMA

O deputado Lúcio Vieira Lima disse, por telefone, que não vai se pronunciar sobre o caso. O espaço está aberto para o parlamentar.