‘Eu vou acabar com a carreira de todo mundo’, ameaça Dárcy Vera no grampo

‘Eu vou acabar com a carreira de todo mundo’, ameaça Dárcy Vera no grampo

Interceptação telefônica da Operação Sevandija, sobre fraudes de R$ 203 milhões, pegou prefeita do PSD de Ribeirão Preto mandando recado a vereadores da base que não estariam apoiando seus projetos: 'eu tô de saco cheio desse povo'

Fausto Macedo e Julia Affonso

05 de setembro de 2016 | 13h56

Dárcy Vera. Foto: Nilton Fukuda/Estadão

Dárcy Vera. Foto: Nilton Fukuda/Estadão

Grampo de Operação Sevandija – investigação sobre fraudes de R$ 203 milhões em licitações – pegou a prefeita de Ribeirão Preto Dárcy Vera (PSD) mandando recado ameaçador a vereadores que não estariam apoiando sua gestão e seus projetos.

O diálogo foi interceptado em 15 de junho, segundo revelou a EPTV, de Ribeirão Preto, que divulgou o grampo – reproduzido também no site Ribeirão Preto Online.

Dárcy Vera – alvo principal da Sevandija, operação conjunta da Polícia Federal e do Ministério Público de São Paulo – conversou com o ex-superintendente do Departamento de Águas e Esgotos da cidade (Daerp), Marco Antônio dos Santos.

A prefeita não esconde sua irritação com dois vereadores da base aliada, Jiló (PTB) e Maurílio Romano (PP).

Ela queria a aprovação de um projeto para transferência de valores de um fundo municipal para os cofres do Tesouro.

“É fim. Chega. Vota contra. Pode votar contra. Fica a vontade. Mas tira todos os seus cargos do governo hoje. Cara, não votar algo? O cara tá cheio de gente no governo. Manda embora. Não é porque é meu genro, não. Tá asfaltando as ruas do Ipiranga (onde mora Jiló), eu vou mandar parar as ruas do Ipiranga. Quer medir força? Vamos medir. Maurílio diz que não tem um monte de interessado? Vou chamar ele prá ir na delegacia dar o nome dos interessados. Porque eu tenho a lista de todos os que você passou pela Secretaria de Meio Ambiente e Planejamento. Você não brinca comigo, não, Maurílio. Eu não tenho medo de você.”

A prefeita sob suspeita da Sevandija prosseguiu. “Você enterra a minha carreira e eu enterro a sua. Eu tô com o saco cheio desse povo (vereadores). Eu não suporto mais. Eu cheguei no meu limite.”

O grampo pegou mais um trecho da conversa de Dárcy Vera com o ex-chefe do Departamento de Águas.

“Não brinca comigo, não. Se eu abrir a boca, só elege dois na Câmara, da nossa base. Só elege dois. Eu não tô brincando. Acaba com a minha carreira eu vou acabar com a carreira de todo mundo. Cansei, Marco.”

Dárcy Vera ordena. “Peita os caras, manda os quase 60 embora do Maurílio prá ver se ele aguenta essa campanha.”

Marco Antônio responde. “Não é esse o caminho, você sabe que não é.”

A prefeita continua. “Ele não consegue segurar 60 pessoas desempregadas, na rua. Ele não dá conta.”

O ex-superintendente do Daerp diz. “Tá bom, eu vou fazer isso. Agora quero ver você segurar. Eu vou fazer isso. Vou chegar e dou um limpa no Jiló e um limpa no Maurílio. A semana que vem dá um desespero em todo mundo, não resolveu nada. Definitivamente, perdemos dois votos. Depois de uma coisa dessa não tem volta.”

Dárcy: Pô, cara! O cara tem que ter um pingo de gratidão!
Marco Antônio: Que gratidão? Gratidão em política, Dárcy? Isso aí não existe. Isso aí você sabe que não existe. Só existe interesse.

 

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