‘Eu recebi os livros’, afirma Fábio Porchat pai sobre denúncia na Boca Livre

‘Eu recebi os livros’, afirma Fábio Porchat pai sobre denúncia na Boca Livre

Testemunha afirmou à PF que empresário, pai do humorista, fornecia declarações falsas de recebimento de livros ao Grupo Bellini Cultural, investigado por fraudes de R$ 180 milhões na Lei Rouanet

Julia Affonso e Mateus Coutinho

12 de julho de 2016 | 05h00

academialatinoamericana
O empresário Fábio Porchat, diretor da Academia Latino Americana, negou taxativamente que tenha fornecido declarações falsas de recebimento de livros ao Grupo Bellini Cultural, investigado na Operação Boca Livre. A auxiliar administrativa e financeira Katia dos Santos Piauy, que trabalhou para o grupo, apontou em depoimento à Polícia Federal ‘fraudes praticadas pelo Bellini Cultural’, alvo da Boca Livre por supostamente participar de desvios de ao menos R$ 180 milhões sob o abrigo da Lei Rouanet.

Fábio Porchat é pai do humorista que leva seu nome.

A Academia Latino Americana, segundo diz em seu próprio site, busca ‘entrelaçar as culturas distintas deste Brasil continental, de norte a sul e de leste a oeste’. “Torna-se exemplo maior de dedicação frutífera a essa diretriz.”

O Grupo Bellini Cultural, do empresário Antonio Carlos Bellini Amorim e dos filhos Felipe e Bruno Amorim, é o principal alvo da Boca Livre. Os três foram presos em 28 de junho.

Por ordem do desembargador Nino Toldo, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, os investigados foram soltos com fiança. Felipe Amorim é suspeito de ter bancado sua festa de casamento luxuosa, em Jurerê Internacional, com recursos da Lei Rouanet. Nas contas de Bellini a Boca Livre encontrou saldo zero.

LEIA A ENTREVISTA DE FÁBIO PORCHAT

ESTADÃO: O sr conhece Antonio Carlos Bellini?

FÁBIO PORCHAT: Conheço, sim.

ESTADÃO: Uma testemunha ligou o sr. a fraudes do Grupo Bellini Cultural, investigado na Operação Boca Livre. Segundo Katia Piauy, a Academia Latino Americana fornecia à Bellini declarações falsas de que teria recebido livros.

FÁBIO PORCHAT: Falsa, não, eu recebi os livros, tenho aqui. Absolutamente. Essa declaração é totalmente errônea, falsa, porque eu recebi os livros e eles foram devidamente entregues. Totalmente falso isso.

ESTADÃO: Os livros eram contrapartida de algum serviço?

FÁBIO PORCHAT: Nada, nada, nada. Simplesmente, a gente fazia exposição, o Bellini nos cedia alguns livros e a gente distribuía graciosamente. Nunca foram cobrados, nunca tiveram nenhum negócio financeiro nisso. Ele nos dava o livro e a gente distribuía o livro. Distribuía para artistas, pessoal que ia nas exposições que a gente faz.

ESTADÃO: Quais livros ele mandou?

FÁBIO PORCHAT: Não me lembro, exatamente, faz tanto tempo. Mas foi uns 50, 60 livros, já não me lembro mais. Foram devidamente distribuídos. Quando soube desse esquema do Bellini, fiquei muito surpreso. Pelo que eu soubesse, ele sempre fez tudo corretamente.

ESTADÃO: Ele ainda é conselheiro da Academia?

FÁBIO PORCHAT: Ele era conselheiro da Academia, seria renovado, mas não aconteceu a renovação ainda. O conselheiro fica dois anos. Terminou já o mandato dele. Normalmente, ele até seria, pronto. Agora que aconteceu tudo isso, evidentemente precisamos repensar. Agora ele não é mais. Eu iria convidá-lo novamente, mas aconteceu todo esse problema, esse imbróglio todo.

ESTADÃO: Qual a sua avaliação sobre a Lei Rouanet?

FÁBIO PORCHAT: A Lei Rouanet é extremamente importante para cultura brasileira, mas tem de ser revista uma série de itens para que melhore, para que se faça um melhor uso dela. Mas é extremamente importante a Lei Rouanet, sou totalmente favorável que ela continue existindo, evidentemente com correções que se devem fazer.

ESTADÃO: Quais correções?

FÁBIO PORCHAT: Precisaria haver um estudo maior. Não fiz esse estudos. Mas evidentemente tem de ser apurada, melhorada em todos os sentidos.

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