Eu não gosto de ninguém

Fernando Barros*

21 Junho 2018 | 06h00

Essa é a atitude do eleitor brasileiro. Pudera. Ciclópicos tsunamis assoberbaram nossa atmosfera com sequencias de assustadoras surpresas. Uma presidenta recém eleita enfrenta tribunais legislativos com o país mergulhado em crise sem precedentes. É apeada por um impeachment, assume o vice; ele tenta colocar de pé o Brasil, ensaiando reformas de grande alcance–algumas até com imediatas repercussões econômicas positivas. Mas não consegue ir adiante.

Segue a profusão de denuncias e investigações, em variados setores, notadamente o de petróleo, expondo a veia de centenas de nossos representantes. Incluído o próprio presidente da republica e o mais exuberante líder popular das últimas décadas, Lula. Está formada a tempestade perfeita.

O congresso agoniza e busca salvar a própria pele. Os partidos em efervescência arrumam o possível, se reposicionam. Buscam boias de salvação, ajustam discursos, novas maneiras de financiamento de campanhas. São, como sempre foram, sobreviventes.

Como não entender o desinteresse dos brasileiros pelas próximas eleições? Dezenas de pesquisas apontam para o desencanto com o voto. As “rejeições” ultrapassam 50% na grande maioria das pesquisas. Nomes conhecidos ainda são lembrados, porém nenhum deles empolga o eleitorado.

Segue firme nas pesquisas, gritando, o “não sabe/não respondeu”. Quando o questionamento se dá por grupos qualitativos, vociferam jurando “não votar em mais ninguém”.

Os mais jovens fecham-se. Os brasileiros, desolados, expõem seus nervos: há 13 milhões de irmãos sem trabalho, sem destino certo. O Brasil entra na desesperança. A perplexidade domina o ânimo Nacional.

De repente, o Brasil parou. Parou de responder pesquisas, de acreditar que a vida vai melhorar. Guardou o grito na garganta, instalou ressentimentos. O cidadão sente-se enganado, ludibriado.
Mas há um calendário imutável. Dia 4 de outubro, daqui a quatro meses, a maioria entrará nas cabines e apertará nomes e números de sua preferencia. Haverá alegria pra muitos, comemorarão a mais esfuziante festa da democracia, o voto livre. Não há golpe nem contra-golpe. Prevalece intacto nosso maior patrimônio, a liberdade.

Ruins ou bons, nossos representantes serão escolhidos livremente. Hoje os odiamos, amanhã os amaremos.

A propaganda terá cessado, o otimismo estará de volta. É do brasileiro ser resiliente, acreditar de novo, sempre.

Em janeiro, a posse dos vitoriosos. A fé renasce. Agora pode dar certo, dirão muitos. Quem sabe um novo Brasil,vem aí?

As campanhas farão parte das lembranças. Anúncios bem humorados farão parte das piadas. Até gostaremos de novo de muitos políticos. Eles nos trarão de volta a esperança e o Brasil seguirá.

Gigante, como sempre, inteiro e pleno pra dar certo.

*Fernando Barros é publicitário

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