‘Eu fazia lobby pra todas as empresas brasileiras’, diz ex-ministro de Lula

‘Eu fazia lobby pra todas as empresas brasileiras’, diz ex-ministro de Lula

Miguel Jorge (Desenvolvimento), que aparece em e-mail a executivos da Odebrecht citando lobby do ex-presidente, conta que 'rainha da Inglaterra veio ao Brasil para vender aviões ingleses'

Mateus Coutinho, Ricardo Brandt, Julia Affonso e Fausto Macedo

29 de setembro de 2015 | 18h34

Para o ex-ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do governo Lula, Miguel Jorge, a atuação de chefes de Estado e ministros em prol de empresas do próprio país no exterior faz parte do papel dos governantes de buscar expandir as atividades comerciais.

Um e-mail datado de fevereiro de 2009 e interceptado pela Polícia Federal na Operação Erga Omnes, desdobramento da Lava Jato, revela que dois executivos da empreiteira, Marcos Wilson e Luiz Antonio Mameri, conversam com o então ministro de Lula. “Miguel Jorge afirma que esteve com os presidentes (do Brasil e da Namíbia) e que ‘PR fez o lobby’, provável referência ao presidente Lula”, registra análise feita pela PF.

migueljorgejanetelongo

O ex-ministro do Desenvolvimento Miguel Jorge. Foto: Janete Longo/Estadão

Indagado sobre o episódio, Miguel Jorge respondeu com naturalidade. Até lembrou de um capítulo ocorrido há mais de quarenta anos.”A primeira visita da rainha da Inglaterra ao Brasil nos anos 70 foi especificamente para vender aviões ingleses, de uma empresa que depois foi uma das que formaram a Airbus. Acho que esse é o papel dos governantes, de realmente se esforçarem para ter um comércio exterior maior para os seus países”, disse o ex-ministro.

Consultado sobre o e-mail em que diz ‘PR fez o lobby’ em referência ao presidente Lula em um encontro com o presidente da Namíbia em 2009, Miguel Jorge diz que não se recorda do episódio. Ele reafirma, contudo que fez lobby para empresas brasileiras quando foi ministro. “Eu fazia lobby pra todas as empresas brasileiras, independente de qual fosse, de frango de carne, de construção, de tubo, esse inclusive é o papel do ministro né?”, indaga.

Ele explicou ainda que a Odebrecht fazia parte de um consórcio junto com a Eletrobrás e Furnas na obra da hidrelétrica da Namíbia. Em 2008, a Eletrobrás recebeu aprovação para atuar no exterior e estava à procura de oportunidades na América Latina e na África.

De acordo com Miguel Jorge, os lobbies eram sempre “muito técnicos” e “muito éticos”. “Dissemos que a empresa é boa e faz bem (sua atividade). No caso da Odebrecht que ela constrói bem, se fosse outra empreiteira a gente teria feito a mesma coisa. Esse é um papel institucional do ministro do Desenvolvimento”, disse.

Ele conta ainda que durante seu tempo como ministro realizou mais de 10 missões comerciais no exterior para divulgar empresas brasileiras. Nestas viagens institucionais, explica Miguel Jorge, iam representantes de cerca de 100 empresas. Já nos encontros do presidente Lula com outras autoridades o número era menor “normalmente eram 8, 10, 12 empresas”, relatou.

Mais conteúdo sobre:

Odebrechtoperação Lava Jato